São Paulo, 16 (AE) - O Tribunal do Júri de Diadema começa amanhã (17) a julgar os dois últimos ex-policiais militares acusados de assassinato, espancamento e abuso de autoridade na Favela Naval, em Diadema, na Grande São Paulo, em março de 1997. Outros oito ex-PMs já foram julgados pela Justiça comum.
O julgamento do ex-soldado Nelson Soares da Silva Júnior e do ex-terceiro-sargento Reginaldo José dos Santos havia sido adiado em novembro após uma disputa entre a defesa e a acusação sobre a apresentação de uma fita de vídeo aos jurados.
A polêmica foi definida no mês passado, quando a 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça garantiu à defesa de Silva Júnior o direito de juntar ao processo a fita de vídeo editada por ela sobre o episódio.
A fita fora retirada do processo em outubro, por determinação da juíza de Diadema, Cláudia Maria Carbonari de Faria, que entendeu se tratar de "montagem". Com a definição, o novo julgamento pôde ser marcado.
Acusações - Nélson Soares da Silva é acusado de homicídio duplamente qualificado por motivo torpe - em relação ao escriturário Mário José Josino -, três tentativas de homicídio - contra Antônio Carlos Dias, Jeferson Caputti e Sílvio Calixto Lemos -, recurso que impossibilitou a defesa das vítimas, tentativa de assegurar a impunidade em relação a outros crimes e abusos de autoridade.
Soares da Silva já havia sido julgado também pela Justiça Militar, que o condenou a 3 anos e 9 meses de prisão em regime semi-aberto por prevaricação e lesão corporal leve, mas o julgamento foi anulado posteriormente pelo Tribunal de Justiça Militar.
Reginaldo José dos Santos, que ficou oito meses detido e está em liberdade, deverá ser julgado por abuso de autoridade, cuja pena prevista é inferior ao tempo que passou preso.

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