Londrina – Pouco menos de 40 horas depois de alegrar um morador de Cambé com o transplante de um novo coração, a equipe médica da Santa Casa de Londrina realizou um novo procedimento em outro paciente, um morador de Bela Vista do Paraíso (Norte), de 45 anos. O paciente que sofria de uma miocardiopatia dilatada estava na fila para receber o órgão há quatro meses. A cirurgia durou cerca de cinco horas e o receptor passa bem.
  De acordo com informações do hospital, o coração era de um jovem de Cornélio Procópio (Norte) vítima de um acidente de trânsito. Na última terça-feira um outro transplante foi realizado, quando um morador de Cambé (Norte), de 52 anos, ganhou o novo órgão doado por uma moradora de Cascavel (Oeste). A doadora era uma jovem de 26 anos vítima de um aneurisma cerebral com morte encefálica confirmada na manhã da última segunda-feira.
  Esses foram os dois únicos transplantes de coração realizados em Londrina durante todo o ano de 2010. De acordo com o superintendente da Santa Casa, Faad Hadad, essa é a média de transplantes desse tipo de órgão realizados nos últimos anos. ‘‘É uma realidade baixa porque sabemos que existe um número alto de mortes violentas envolvendo jovens que poderiam estar doando esses órgãos’’, disse.
  Desde 1994 o hospital realizou 40 transplantes de coração e 270 de rins. Em 2001, oito transplantes de coração foram realizados. ‘‘Foi uma época em que o Ministério da Saúde estava realizando uma campanha forte de doação e também havia um envolvimento grande das empresas aéreas facilitando o tráfego dos órgãos. Tudo isso, na época, ajudou e mobilizou tanto a população quanto as equipes médicas’’, comentou.
  A assessoria do hospital informou à FOLHA no final da tarde de ontem que o novo receptor já estava acordado, conversando e feliz com o resultado da operação. Para o Hadad, a época do ano pode ter favorecido a solidariedade das famílias doadoras. ‘‘É um momento de muita satisfação não pelos que morreram mas pelos que recebem o órgão nessa época em que suas famílias viverão momentos de grandes emoções’’, comentou o superintendente.
Menor prazo
  Estatísticas da Central Estadual de Transplantes em Curitiba, só no Paraná, 3.218 pessoas esperam por um órgão. Atualmente, a fila por um novo coração é formada por 48 paranaenses.
  Até o mês passado foram realizados dez transplantes. O transplante do coração é o que possui menor prazo. Segundo especialistas, deve ser feito até quatro horas após ser retirado.

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