Dois terços dos brasileiros dependem do SUS
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terça-feira, 02 de junho de 2015
Celso Felizardo<br> Reportagem Local 
Londrina A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2013, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que dois terços dos brasileiros dependem do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo os dados, a rede pública foi responsável por 65,7% das internações que duram 24 horas ou mais no Brasil, sendo maiores as taxas no Nordeste (76,5%) e no Norte (73,9%). A região Sul aparece com 63,8%. O menor percentual foi registrado no Sudeste (58,8%).
A faixa etária que mais recorreu a internações no SUS é até 17 anos (75,2%) e o menor percentual (58,8%) corresponde à população entre 30 e 39 anos. De acordo com a pesquisa, as internações no SUS também somam um percentual maior entre pretos (75,8%) e pardos (75,4%), conforme terminologia do IBGE. Entre os entrevistados que se classificam brancos o número é 20 pontos percentuais menor (55,4%). A pesquisa também mostrou que as mulheres vão mais ao médico do que os homens. Entre as mulheres, o índice foi de 78%, contra 63,9% dos homens.
O principal procedimento realizado entre as pessoas que ficaram internadas no SUS foi o tratamento clínico (42,4%), seguido por cirurgias (24,2%) e partos (13,1%). Na saúde privada, o perfil é diferente, com as cirurgias correspondendo a 41,7% das internações. Os tratamentos clínicos respondem por 29,8%, e os partos, 11,8%.
De acordo com a pesquisa, do total de entrevistados no último trimestre de 2013, 71,2% haviam se consultado pelo menos uma vez nos 12 meses anteriores à entrevista. O inchaço da rede pública, no entanto, causa transtornos para os usuários. A reportagem percorreu alguns pontos de atendimento em Londrina na tarde de ontem. O tempo de espera foi a maior reclamação dos pacientes do SUS.
Nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), os problemas são pontuais, mas o problema mais crônico continua sendo no Pronto Atendimento Municipal (PAM). O pintor Roberto Carlos Ferreira Chaves, de 39 anos, morador na área central, procurou a unidade de saúde na manhã de ontem após sentir-se mal. Ele deu entrada às 9h30 e sete horas depois ainda não havia sido atendido. "Só procuro consulta quando realmente preciso, porque sei como é isso aqui", reclamou.
A PNS investigou o atendimento nos serviços de saúde, público e privado. As entrevistas mostraram que 10,6% dos brasileiros de mais de 18 anos já se sentiram discriminados ao serem atendidos em postos e hospitais, sendo a ocorrência mais frequente no Norte e no Centro-Oeste: índices de 13,6% e 13,3%, respectivamente. Os principais motivos, na ordem: falta de dinheiro, classe social, tipo de ocupação, doença que apresentam e cor da pele.
O açougueiro Antônio Gomes Júnior, de 18 anos, que cortou a mão em um acidente de trabalho, contou que se sentiu discriminado por ser pobre. "Bom, eu estou aqui [PAM] com a mão cortada e ninguém me atende. Se eu fosse rico com certeza a história seria outra. Isso não é uma forma de preconceito?", questionou.
Os entrevistados também responderam questionário sobre higiene bucal. Os resultados mostraram que o uso de escova de dente, pasta e fio dental é feito por apenas 53% dos brasileiros. Enquanto 83,2% das pessoas com nível superior usavam os três, o percentual cai para 29,2% entre a população sem instrução e com ensino fundamental incompleto.
Em situações extremas, uma simples escova de dente é artigo de luxo. No assentamento Aparecidinha, na zona norte de Londrina, a reportagem entrevistou uma família sobre os hábitos de higiene bucal. As primas Karolaine Vitória, 8 anos, e Rayssa Gabriela, 5, ganharam escovas durante a entrevista. O presente veio de uma tia ao descobrir que as meninas não tinham o item básico de higiene dental. "Olha, é de bichinho", admirou-se a mais velha enquanto se preparava para estrear o presente no tanque de lavar roupas.
Continue lendo os resultados da pesquisa:
- Maioria prefere cães a gatos
- 20,6% não usam cinto de segurança no banco da frente


