Dois skinheads afirmam ter sido espancados por policiais
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quinta-feira, 09 de março de 2000
Por Cecilia Negrão 
São Paulo, 10 (AE) - Dois dos 18 skinheads acusados pelo assassinato do adestrador de cães Edson Neris da Silva, no centro de São Paulo, disseram hoje, em depoimento no Tribunal do Júri, ter sofridos maus-tratos de policias. Durante as quatro horas em que foram ouvidos pelo juiz Ruy Borges, os cinco carecas usaram a mesma estratégia do grupo ouvido ontem (09) negaram participação em grupos nazistas e disseram conhecer apenas 1 ou 2 dos 18 acusados.
Marcelo Martins e Roberto Fernando Gros, ambos de 19 anos, disseram que, momentos antes de serem levados para depoimento, foram espancados na cela. "Os policiais nos chamaram de racistas e nazistas e nos deram chutes e pontapés", disse Martins. Ele acredita que pode reconhecer os agressores.
Já o acusado Fernando Azadinho dos Santos, de 19 anos, afirmou que o delegado plantonista Antônio Araújo, do 3.º Distrito Policial, obrigou-o a assinar folhas em branco no dia do crime. "Tive de assinar cerca de 50 páginas." O delegado titular, Jorge Carrasco, no entanto, nega que isso tenha ocorrido. "Em nenhum momento houve arbitrariedade."
Segundo a Assessoria de Comunicação do Comando Militar, se forem comprovadas as agressões, um Inquérito Policial Militar (IPM) será aberto. Os outros dois acusados que prestaram depoimento hoje são Jorge Soler e Washington Oliveira.


