Dois são presos por extorsão
Vânia Moreira
De Umuarama
O advogado Ronaldo Camilo e o radialista Carlos Silva, o Carlinhos Pessoa, foram presos em flagrante ontem à tarde em Umuarama por extorsão. Outros quatro radialistas, todos integrantes do programa policial de maior audiência na cidade, o Aconteceu, da Rádio Cultura AM, também são acusados de tentar extorquir dinheiro de um empresário para não noticiar o suposto envolvimento dele num caso de aborto ilegal. Marcos Mitsuaki Ohta, 22 anos, denunciou o fato ao promotor Vilmar Antônio Fonseca que armou o flagrante.
Segundo Ohta, a equipe chefiada pelo radialista Devaor de Andrade, o Tatu, passou a procurá-lo semana passada e exigir o pagamento de R$ 6 mil para não divulgar o nome dele. Enquanto pressionavam, faziam chamadas no programa ameaçando revelar a história.
As negociações eram feitas no escritório do advogado dele, Ronaldo Camilo, com os repórteres Carlos Pessoa, Anderson Torres, Gedilson Garcia e o fotógrafo Ricardo Costa. Na sexta-feira, Ohta ofereceu um cheque de R$ 2 mil, mas a equipe exigiu que o pagamento fosse feito em dinheiro. O empresário deixou o cheque com o advogado e combinou para ontem a entrega do dinheiro no escritório.
O fotógrafo Ricardo Costa foi ao escritório buscar o dinheiro, mas teria percebido a presença de PMs perto do prédio e desistiu, deixando os R$ 2 mil com o advogado. Camilo foi preso depois de mandar a secretária Elichieli Perilis depositar o dinheiro. Segundo a Polícia, o advogado deveria ter denunciado a extorsão e não intermediado a negociação, o que o torna cúmplice. Carlos Pessoa também foi preso em flagrante. Os outros não foram encontrados.
Segundo Ohta, a chantagem começou quarta-feira passada, quando uma garota de 17 anos foi internada com suspeita de ter praticado aborto. Em entrevista ao programa policial, uma irmã da menina disse que Ohta seria o pai da criança e teria induzido a garota a fazer o aborto. Ohta disse que nunca teve nenhum envolvimento com a menor.
Ohta contou que durante o programa de segunda-feira, apresentado por Anderson Torres, o radialista anunciava que ira contar a história do japonês que havia ajudado a namorada a fazer aborto. Nos intervalos, ele e os outros repórteres ligavam para o empresário para pressioná-lo. Considerado hediondo, o crime de extorsão é inafiançável e prevê pena de quatro a 10 anos de prisão.





