A Delegacia de Homicídios (DH) concluiu o inquérito da morte do policial militar Wagner da Silva Prado, que tinha 35 anos e foi executado no dia 17 de novembro do ano passado em uma padaria da avenida Roberto Conceição, conjunto São Lourenço, zona sul de Londrina. Henry Heidy Moryama e Guilherme Henrique de Souza, os dois maiores de idade e que já estavam presos por outros crimes, foram indiciados por homicídio qualificado e associação criminosa.

Imagem ilustrativa da imagem Dois são indiciados por assassinato de policial militar em Londrina
| Foto: Marcos Zanutto/Folha de Londrina

O processo está desde o final de julho com o Ministério Público, que ainda não ofereceu denúncia. A Polícia Civil confirmou que Prado foi morto enquanto trabalhava como segurança do estabelecimento comercial. Duas pessoas em uma moto passaram pela via e atiraram diversas vezes com uma pistola calibre 9 mm, como constatou a perícia feita pelo Instituto de Criminalística. Os tiros atingiram o tórax e o abdômen do agente, que morreu na hora.

O delegado responsável pelo caso, João Batista dos Reis, explicou que Guilherme Souza era um dos ocupantes da motocicleta, uma Honda CG preta. Investigadores da DH vasculharam as redes sociais do suspeito e identificaram em uma foto o modelo semelhante ao do veículo usado no homicídio. Outro indício é outra postagem que mostra uma tatuagem feito pelo rapaz indicando sua filiação ao PCC (Primeiro Comando da Capital).

Em outra postagem incluída no inquérito, Souza escreveu: "Pé de pano não passa batido, perde a vida pelo 9 mm". É o mesmo calibre, conforme laudo da Criminalística, da arma usada para matar o policial. "Não conseguimos identificar quem estava com ele (Guilherme) na moto. Não foi possível identificar se seria o Moryama ou outra pessoa. A vítima foi morta por uma retaliação do crime organizado. Eles (suspeitos) não tinham um alvo específico, mas este precisaria ser um agente de segurança pública", informou Reis.

O delegado voltou a descartar uma ligação do assassinato do PM com a apreensão feita dias antes da execução de uma fortuna pela Guarda Municipal. A Corregedoria da Secretaria de Defesa Social entendeu que 13 agentes da corporação desviaram parte do dinheiro apreendido. Eles foram exonerados pelo prefeito Marcelo Belinati (PP) no final de julho.

Para a Polícia Civil, enquanto Souza atirou em Wagner Prado, Moryama planejou o crime. Com a quebra do sigilo da tornozeleira eletrônica autorizada pela Justiça, a Delegacia de Homicídios descobriu que o rapaz passou três vezes na padaria onde o servidor estava. Em seguida, foi até a casa da mãe do comparsa, que fica perto do comércio.

Outro artifício que auxiliou na apuração foi uma análise, com permissão judicial, feita no celular da mãe de Guilherme Souza. Segundo o exame, no dia 19 de novembro, apenas dois após a morte de Prado, ela teria conversado pela primeira vez com o filho, que tinha fugido de Londrina. Em outra mensagem, policiais civis identificaram que o irmão do criminoso não queria mais que ele deixasse uma moto sem placa em sua casa. A investigação apontou que esta seria a Honda preta utilizada na execução.

De acordo com o inquérito, a mãe ainda fala para Souza que havia recebido uma intimação, mas o jovem responde que "não iria comparecer e não voltaria tão cedo com medo de ser morto por policiais". Se forem condenados, os dois podem pegar mais de 20 anos de prisão. Eles ainda não têm advogados constituídos no sistema de consulta do Tribunal de Justiça do Paraná.

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