Belém - Por maioria de votos dos jurados, o comerciante Amailton Madeira Gomes foi condenado a 57 anos de prisão e o ex-policial Carlos Alberto dos Santos Lima, a 35, por tortura, castração e morte de meninos em Altamira. Os crimes ocorreram entre 1989 e 1993. Eles cumprirão a pena em regime fechado na penitenciária de Americano, em Santa Isabel, município da Região Metropolitana de Belém.
Santos foi considerado culpado por um homicídio e duas tentativas. Gomes foi considerado responsável por três homicídios. A sentença foi proferida anteontem à noite. Mesmo na condição de réus primários, Gomes e Lima tiveram os mandados de prisão expedidos pelo juiz Ronaldo Valle durante a leitura da sentença. Os advogados dos réus anunciaram um recurso contra a condenação, alegando que ela foi contrária às provas do processo.
De acordo com a acusação, os dois condenados faziam parte um grupo responsável pela castração de nove meninos seis deles foram mortos , por cinco tentativas de sequestro e pelo desaparecimento de outras cinco crianças.
Todas as vítimas tinham entre 8 e 14 anos e eram do sexo masculino. Os crimes teriam ligação com rituais de magia negra.
A decisão do Tribunal do Júri foi comemorada por familiares das vítimas, ativistas de direitos humanos e representantes de movimentos sociais de Altamira, que há três dias fazem vigília em frente ao Tribunal de Justiça, onde o julgamento foi realizado. ''A justiça finalmente foi feita, agora a outra luta é fazer com que os réus cumpram a sentença na cadeia'', disse Rosa Pessoa, mãe de Jaenes Pessoa, um dos meninos mortos.
Lúcia Cunha Xipaia, irmã do índio Judirley Xipaia, outra vítima dos castradores de crianças, agradeceu a Deus pela condenação. Chorando, ela contou que já não estava conseguindo mais conviver com a sensação de impunidade que cercava o processo. ''Meu irmão não merecia morrer. Ele saiu para pescar e desapareceu. Foi encontrado três dias depois. Depois de torturado e castrado, ele foi morto a golpes de faca e pauladas''.
Ao todo, são cinco acusados. No próximo dia 2, outros três acusados pelos crimes os médicos Césio Brandão e Anísio Ferreira de Souza e a líder da seita Lineamento Universal Superior (LUS), Valentina de Andrade sentarão no banco dos réus.
O juiz decidiu desmembrar o processo em duas etapas, para evitar que a defesa dos acusados usasse a estratégia de pedir julgamento individuais o que tornaria o processo mais arrastado.
Os réus negam as acusações e se dizem vítimas de uma ''armação''. Para os cinco acusados, a polícia forjou provas contra eles para ''dar uma resposta à sociedade'' de qualquer maneira.

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