Dois rapazes são assassinados na zona sul; polícia não tem pistas dos autores dos crimes
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quarta-feira, 28 de abril de 1999
Por Rosa Bastos 
São Paulo, 29 (AE) - Dois jovens, um de 18 anos e outro de 16, foram assassinados a tiros bem perto de casa, na noite de ontem (28). Ambos moravam na região do Jardim Herculano, bairro da zona sul, próximo - e tão perigoso quanto - do tristemente conhecido Jardim ¶ngela, que ostenta o posto de mais alto índice de criminalidade de São Paulo. Nos dois casos, a polícia ainda não sabe o motivo dos crimes.
Por volta das 23 horas, o estudante Reginaldo Nascimento dos Santos, de 18 anos, completados há três dias, chegava em casa, na Rua Guilherme Spindola Pequito, número 10, no Jardim Santa Lúcia, quando foi atingido por três tiros no peito. Na rua
asfaltada, mas escura, porque não tem iluminação pública, habitada por gente pobre e assustada, ninguém viu o assassino.
"Meu filho teve um probleminha, mas já pagou", contou o pai, Jesuíno dos Santos. Depois de passar uma temporada na Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem) , Reginaldo tinha voltado para casa e, de acordo com o pai, estava estudando. Ontem, ele chegava da escola quando levou os tiros. Sem testemunhas, a polícia supõe que o garoto pode ter tido problemas com colegas de escola, que o teriam perseguido, ou que foi vítima de uma emboscada. "Estava vivo" - A mãe do adolescente André Cazelato, de 16 anos, a dona de casa Erenice Cazelato, de 34, estava em casa quando foi avisada de que o filho havia sido baleado. Ela o encontrou caído na Rua Laudelino dos Santos, no Jardim Santa Margarida. "Ele ainda estava vivo". O garoto levou um tiro no pescoço. Com a ajuda de vizinhos, André foi levado ao Pronto-Socorro Municipal do Campo Limpo, onde morreu. No 100.º Distrito Policial, não se conseguiu nenhuma pista que leve ao assassino. O caso vai ser investigado pela delegacia que apura crimes contra crianças e adolescentes do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Apesar dos dois crimes numa única noite, o delegado titular do 100.º DP, Mário Watanabe, disse que o número de assassinatos na região diminuiu. Passou de 19 casos em média para 14 por mês. "Há distritos próximos que chegam a ter 22", explicou. "Nós já estivemos no topo da criminalidade, mas agora ocupamos o quarto lugar".
De acordo com o delegado, vários fatores contribuem para a violência na periferia. "Há muita gente desempregada e essa ociosidade não é benéfica em nenhum lugar do mundo", avaliou. "Sem fonte de renda, numa região já problemática, muitos ficam nos bares e aí vêm a bebida, as drogas, os crimes..."


