Dois PMs são mortos no Recife após saírem da prisão
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quinta-feira, 29 de julho de 1999
Por Vandeck Santiago, especial para a AE 
Recife, 30 (AE) - Quatro homens mataram a tiros ontem à noite, em Camaragibe, região metropolitana do Recife, dois soldados da Polícia Militar que uma hora antes haviam sido libertados do presídio em que cumpriram pena de seis meses por insubordinação. José Adílson Jordão e Valdileno Viana Guedes, ambos de 30 anos, estavam em um automóvel Gol e foram mortos com dez tiros ao parar em um semáforo. Segundo testemunhas, um dos assassinos estava em uma moto e os outros três em um Gol, cujas placas não foram anotadas.
Com os dois soldados estavam a mãe e a irmã de Guedes, que não foram atingidas. Foram disparados 17 tiros, sendo que dez atingiram as vítimas, principalmente na cabeça. As polícias Militar e Civil abriram inquérito para apurar o caso. A princípio tudo indica que o crime foi motivado por vingança e executado por profissionais, segundo as polícias. Os dois PMs mortos eram suspeitos de envolvimento com drogas. A Polícia Militar vai investigar também outra hipótese: a de que os assassinos são da própria corporação, segundo colegas (não identificados) das vítimas.
Maria Ladjane Melo, mulher de Jordão, disse que o marido sempre falava que poderia ser morto quando saísse do presídio. "Ele só falava isso, não dizia por quem nem porque", disse ela. Os familiares de Guedes não quiseram dar entrevistas.
Um terceiro soldado PM, José Basílio do Nascimento, escapou de morrer na emboscada de ontem. Ele era colega dos dois mortos, também cumpriu pena por insubordinação e foi com os dois. Mas em vez de ir com Guedes e Jordão, Nascimento foi apanhado na saída do presídio por um carro da Associação de Cabos e Soldados (ACS), que estava esperando para transportar os três.
A ACS informou que fora buscá-los porque os três eram associados à entidade.Os dois que morreram mais tarde, porém, seguiram em outro automóvel, o Gol, que pertencia a Guedes. Desde que soube do crime, Nascimento está escondido, pois teme ser morto. Por meio da Associação de Cabos e Soldados, informou que irá apresentar-se amanhã (31) à corregedoria da PM e solicitar garantia de vida.
Denúncias - Os três trabalhavam no presídio Aníbal Bruno
no Recife. A PM recebeu denúncias de um suposto envolvimento deles com tráfico de drogas no local e resolveu transferí-los para outra unidade, o Manicômio Judiciário. No momento da transferência os três teriam se recusado a ir no automóvel da própria PM, alegando que o carro "estava muito apertado", uma vez que nele já estavam seis outras pessoas. Segundo a ACS, os três teriam dito que poderiam ir no carro particular de um deles.
Por isso foram presos por insubordinação e condenados a um ano de prisão no Centro de Reeducação da PM, uma espécie de presídio para policiais infratores, que fica em Paulista, na região metropolitana do Recife. Os três cumpriram seis meses da pena e foram libertados ontem por habeas-corpus, conforme a ACS.


