São Paulo, 28 (AE) - Dois policiais militares foram mortos na noite de ontem (27) e madrugada de hoje, em São Paulo, a tiros.
Trabalhando como motorista de lotação nas horas de folga
o policial militar Alexandre Severino da Silva, de 25 anos, foi vítima um assalto, ontem à noite, na Avenida Olívia Guedes Penteado, no bairro do Socorro, zona sul de São Paulo. Ele matou um dos ladrões e também foi baleado. Morreu ao ser socorrido no Hospital Regional Sul, em Santo Amaro.
Silva era lotado no 22º Batalhão da Polícia Militar (BPM), responsável pela mesma região, e havia comprado a perua Kombi de placa CKH-9979, com a qual fazia a linha de lotação Moema-Jardim Castro Alves. Por volta das 22h40, estava levando oito passageiros e, poucos metros antes do Largo do Socorro, três rapazes morenos, aparentando de 18 a 24 anos, pediram que parasse para descer. Ao atendê-los, parando em frente do número 749 daquela avenida, o motorista foi supreendido pelos passageiros, que estava armados.
Testemunhas contaram aos policiais do 102º Distrito Policial (DP) - Socorro - que Silva lhes disse para levar o dinheiro e a perua, mas poupar os passageiros. Aproveitando um momento de distração, antes mesmo de lhes entregar o dinheiro, o PM agarrou um dos ladrões e, sacando o revólver de calibre 38 da corporação, que trazia às costas, na cintura, baleou o assaltante cinco vezes.
Os comparsas passaram a atirar e o policial foi atingido na lateral do corpo, sob a axila. Fugiram, em seguida, sem nada levar. O ladrão baleado, identificado como Carlos Eduardo Santi Souza, de 18 anos, morreu no local, antes de ser levado para o Hospital Regional Sul, juntamente com o PM, que morreu durante a cirurgia.
Outro policial militar, licenciado da corporação, foi assassinado, por volta de 3 horas, na Favela dos Pilões, no bairro Heliópolis, também na zona sul.
O PM Marco Aurélio Pires de Moraes, de 30 anos, foi baleado na entrada da favela, onde estava em companhia do cunhado Oswaldo Vieira dos Santos, de 33 anos. Os dois teriam perseguido um homem que estaria "em atitude suspeita" e entrado na favela. Pouco depois, houve tiroteio, o PM foi baleado e morreu no hospital daquele bairro. Segundo informações do Serviço Reservado da PM, porém, a história verdadeira pode ser outra. Licenciado por deserção, Moraes, que ingressou na PM em 1990 e, ultimamente, estava lotado na 1ª Companhia do 21º BPM
poderia estar envolvido com o tráfico de entorpecentes e vinha sendo investigado por aquele setor.
Segundo o boletim de ocorência, lavrado pela delegada Maria Aparecida Gobetti, do 95º DP - Heliópolis -, Moraes e o cunhado, que seria informante da polícia - popularmente chamado de "ganso" -, chegaram em no automóvel Tempra placa DRI-0407 e estavam indo visitar o investigador Ricardo Marques Paccola, de 27 anos, que está há apenas um mês lotado no plantão daquela delegacia.
Consta que eles viram o tal homem "suspeito", passando em frente do DP e o perseguiram até dentro da favela. Pouco depois, Santos retornou correndo e chamou Paccola, dizendo que Moraes havia sido baleado.
Os dois foram à favela e acionaram a PM para socorrer a vítima no pronto-socorro que fica próximo do DP. O policial baleado morreu pouco depois.
Enquanto a ocorrência era registrada, o sargento Fidêncio, que estava apresentando os dados à delegada, informou-a de que havia um revólver escondido num local, na própria delegacia, e que aquela poderia ser a arma usada no crime. Paccola confirmou isso e afirmou que o revolver de calibre 38, com numeração raspada, pertence a Santos e que ele próprio o escondeu ali.
A delegada autuou o cunhado do PM em flagrante por "porte ilegal de arma". Em seguida, indiciou ele e o próprio investigador pelo homicídio. Apreendeu tanto o revólver de Santos como a pistola 380 de Paccola e requisitou exames residuográficos das mãos dos dois. Para a delegada, a versão de perseguição ao supeito pode não ser verdadeira e os dois estarem esvolvidos na morte do PM. O motivo pode ser uma disputa por ponto de venda de drogas na Favela dos Pilões, ao lado da delegacia.
Escolas - Atraída pelo ruído de um estampido, às 21h20, na ala dos banheiros da Escola Estadual Deputado Agenor Lino de Matos, à Rua 13 de Maio, 60, no Jardim Flórida, em Barueri, na Grande São Paulo, a diretora Juracy Cardana César imaginou que fosse estouro de uma bombinha e foi averiguar. Encontrou o estudante Júlio César Coutinho, de 18 anos, caído num dos reservados, baleado no abdome. Ele está internado no Hospital Regional de Osasco (SP), depois de ter recebido os primeiros socorros nno Sameb Central do município.
No depoimento, na Delegacia Central de Barueri, a diretora contou que, ao encontrar o estudante ferido, ele estava lúcido e disse-lhe que não sabia o que tinha acontecido, nem quem seria o autor do disparo.
Em frente de outra escola estadual, numa quadra de futebol de salão na Rua Irene Lopes Erédia, 35, no Jardim Sapopemba, na zona leste da capital, o auxiliar de estoque Cristiano da Silva, de 26 anos, estava sentado no muro, assistindo a uma partida, quando foi baleado. Morreu ao dar entrada no Hospital-Geral de São Mateus. As investigações deste crime estão por conta de policiais do 69º DP - Cohab Teotônio Vilela.
No centro, Paulo César Basílio do Carmo, de 27 anos, chegou no Kadett vermelho placa BOF-6601 ao bar da Rua Guaianazes, 76, em Santa Ifigênia, e começou a conversar com um homem na calçada, que havia chegado em outro carro. De repente, o homem sacou de uma pistola de calibre 380 e disparou sete vezes contra Carmo, que morreu ao dar entrada na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. O homem fugiu no carro da vítima, mas o delegado de plantão do 3º DP - Campos Elíseos - não conciderou o fato como latrocínio. Para os policiais daquela delegacia, este crime está prestes a ser esclarecido porque as testemunhas conhecem o criminoso e, provavelmente, o automóvel levado era o motivo da briga entre eles.

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