Curitiba - Após 22 anos de hemodiálise, Zelina de Quadros Leme, de 39 anos, moradora de Imbituva, cidade da região dos Campos Gerais, conseguiu passar pelo transplante. Ela recebeu um rim e, depois de duas semanas, recebeu alta do Hospital Evangélico, em Curitiba, na última sexta-feira. Casada e mãe de dois filhos, ela ficou na fila de espera para receber o órgão por 10 anos. ''É muito tempo, mas não desisti. É doloroso passar pela hemodiálise, mas necessário. Tive medo de passar pelo transplante porque não sabia como reagiria, mas depois de me informar cheguei para a cirurgia tranquila. Tinha esperança de conseguir um doador vivo, mas consegui o órgão de qualquer maneira'', disse.
Zelina contou que realizava a hemodiálise três vezes por semana. Isto a impedia de viajar para visitar os parentes ou de planejar qualquer outro programa. Por quatro vezes ela foi chamada até Curitiba porque foi encontrado um rim compatível, mas como ela estava na fila de espera, tinha que aguardar se o órgão não seria rejeitado por outros pacientes. 'Da última vez que vim para cá (Curitiba) estava em segundo na fila, mas ainda não era a minha vez. Até que no último dia 5 recebi uma ligação dizendo que o transplante poderia ser realizado. Foi tudo muito rápido. Saí de Imbituva de ambulância ainda pela manhã, cheguei na hora do almoço no Evangélico e, logo em seguida, já estava indo para a sala de cirurgia'', disse.
Zelina também informou que a primeira coisa que quer fazer é uma viagem até o interior de São Paulo para visitar uma igreja e agradecer pelo procedimento. ''Esperei por tanto tempo e agora tenho que agradecer. Também vou poder visitar muita gente que faz tempo que não vejo''.
Sobre as doações de órgãos ela reforça a importância do procedimento e da conscientização das famílias. ''As pessoas devem se informar e saber que isso mudou a minha vida e pode mudar a vida de tantas outras. Podem ser salvas muitas pessoas com os transplantes. Entendemos que é triste perder um ente querido, mas se a pessoa morre, outra pode continuar sobrevivendo graças ao órgão doado'', finaliza.

Na adolescência


Júlia Giombelli 'ganhou' um transplante de rim de presente de aniversário. Ela completou 15 anos no último dia 16 de setembro e, quatro dias depois recebeu o novo órgão num procedimento realizado no Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba. Ela é natural de Terra Roxa, município do Noroeste do Paraná, e veio para a capital há dois anos e meio com toda a família.
Animada, ela já planeja o quer fazer assim que voltar para o interior. ''Como estava fazendo hemodiálise não podia aproveitar e viajar com a família. Agora, a partir do próximo ano vou poder ir visitar diferentes lugares'', conta. Ela está terminando de cursar o 1º ano do segundo grau e espera voltar a estudar na sua cidade a partir do próximo ano.
A mãe de Júlia, Maristela Guzatto Giombelli, informou que a menina já nasceu com má formação no aparelho urinário. O tratamento com hemodiálise começou a ser realizado quando ela tinha 12 anos. ''Não tínhamos conhecimento do problema e depois que foi constatado a ineficiência do rim nos aprofundamos no assunto enquanto aguardávamos na fila de transplante'', afirmou.
Segundo a mãe, a menina agora tem toda a vida pela frente. ''É claro que ela sempre terá que tomar medicamentos, mas com certeza terá uma vida normal, sem ter que ficar fazendo hemodiálise'', disse.(R.C.Jr.)

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