Dois operários morrem soterrados em São Paulo
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de janeiro de 1998
Agência Estado São Paulo 
Epitácio Pessoa/AE
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
Bombeiros retiram corpo de um dos operários mortos ontemDois dos cinco operários que trabalhavam ontem de manhã em uma obra da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), na Avenida Água Espraiada, zona sul da capital, morreram soterrados. Um deles é Salvador Caldeira Rodrigues, baiano de 24 anos. O outro não havia sido identificado até às 19 horas. Os três sobreviventes foram levados para o Hospital Jabaquara com ferimentos leves e foram liberados. Os bombeiros tiveram dificuldade na retirada dos corpos e o segundo só pôde ser removido no final da tarde.
Segundo o capitão Noli Kauling, do Corpo de Bombeiros, as causas mais prováveis foram o escoramento mal-executado e infiltrações. O peso da terra molhada, que era retirada e colocada na calçada, também pode ter contribuído para o acidente.
A obra - assentamento do tronco coletor de esgoto - faz parte do Projeto Tietê, e tem como objetivo desviar a sujeira do Córrego das Águas Espraiadas no trecho entre a Avenida Washington Luís e a Marginal do Pinheiros. Metade é financiada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
A Serveng, empresa ganhadora da concorrência para realizar o serviço contratou uma menor, a Feal, que tocava a obra. Diovani Fernandino, coordenador de Obras do Projeto Tietê, responsabiliza a Serveng. Ele garantiu não ter conhecimento de que a Feal é que fazia os trabalhos. Segundo ele, essa subempreitada é irregular, já que a companhia não foi avisada. Além disso, destacou, julgava que a empreiteira estava de férias coletivas. Ninguém devia estar trabalhando nesse trecho, muito menos com chuva, assegurou.
A fiscalização, admitiu, cabe à Sabesp, mas conforme Fernandino, o engenheiro que faria vistorias diárias está de férias e seu substituto não lhe comunicou nada. A Sabesp vai abrir sindicância para apurar as responsabilidades.
A reportagem da Agência Estado não conseguiu localizar o engenheiro da Serveng responsável pela obra, Sérgio Della Vecchia. Edvano de Oliveira, que trabalhava na obra na parte de asfaltamento, sentiu que o acidente pudesse acontecer. Na quarta-feira, um pedacinho cedeu, mas eles tiraram o barro e colocaram umas estacas, contou.


