Dois mortos na queda de avião em Belém
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sexta-feira, 06 de setembro de 2002
Carlos Mendes<br> Agência Estado 
Belém - Um avião monomotor, prefixo PTNCX, caiu e explodiu no final da manhã de ontem, quinze segundos depois de decolar do Aeroporto Júlio Cesar, em Belém, com destino a Altamira, matando o piloto e um passageiro. Duas pessoas, com queimaduras pelo corpo e diversas fraturas, conseguiram sobreviver.
Elas foram internadas em estado grave em hospitais particulares. A Aeronáutica abriu inquérito para apurar as causas do acidente, que aconteceu bem próximo de uma das mais movimentadas avenidas da cidade, a Almirante Barroso.
O avião pertencia ao delegado da Polícia Civil do Pará, Luiz Carlos Barbosa, que sobreviveu com várias fraturas, assim como o passageiro Edinaldo Araújo Silva, este com 60% do corpo queimado.
A queda do aparelho ocorreu após uma segunda tentativa de decolagem com destino a Altamira, 600 quilômetros a sudoeste da capital paraense. Ainda no local da queda, foi levantada a suspeita de que o monomotor estaria levando drogas para Altamira, o que não foi confirmado.
As primeiras investigações de peritos da Aeronáutica apontam para a possibilidade de falha técnica do piloto Mário Gomes, que morreu ao lado do passageiro Daniel da Cruz Oliveira. ''Eles queriam voar às 6 da manhã, mas não conseguiram, porque o rádio estava com defeito. Tiveram de retornar e fizeram o conserto. Com a permissão para voar, decolaram e deu nisso'', declarou o empresário Valber Melo, amigo de um dos ocupantes feridos no acidente. Melo disse que o piloto sabia que o avião tinha problemas, mas insistiu em fazer a viagem.
O engraxate Silvio Luiz Nixon, que estava numa parada de ônibus, disse à reportagem ter visto quando o piloto, logo após a decolagem, tentou retornar ao aeroporto. ''Acho que tinha dado pane e ele quis pousar o avião, mas não deu tempo. O aparelho caiu no mato, bem perto da pista, e sua explosão assustou todo mundo na parada''.
O Serviço Regional de Aviação Civil (Serac), depois que os bombeiros apagaram o fogo e os peritos do Instituto Médico-Legal (IML) recolheram os corpos carbonizados das vítimas, começou a selecionar as peças do aparelho que serão submetidas a analise. ''Elas dizem muito sobre o que pode ter acontecido'', resumiu um oficial da Aeronáutica.


