A superlotação no setor de
emergência do Hospital Psiquiátrico Galba Velloso, na zona oeste de Belo Horizonte, está sendo apontada como causa de duas mortes ocorridas na unidade, no início da semana. Segundo testemunhas, um andarilho e uma mulher de meia idade morreram enquanto aguardavam atendimento. Parentes de pacientes se queixam das precárias condições do ambulatório. De anteontem para ontem, por exemplo, 42 pessoas aguardavam na fila. Após 24 horas, apenas 11 haviam sido atendidas.
‘‘Levei meu filho ao hospital, no início da semana, e ficamos um dia inteiro e uma madrugada esperando para que ele fosse atendido’’, disse Marco Túlio Valente, obrigado a dormir nos corredores. O diretor do hospital, Paulo Araújo, reconhece que as filas são grandes, já que há na capital apenas dois hospitais estaduais para atendimento de urgências psiquiátricas. Ele nega, porém, os maus-tratos.
‘‘O número de leitos do SUS disponível nas rede pública e privada, para casos agudos, infelizmente é pequeno diante da demanda cada vez mais crescente’’, afirmou. ‘‘No nosso hospital, por exemplo, temos 164 leitos para internação e 18 para que os pacientes aguardem surgimento de vagas em outras unidades, só que, às vezes, isso é muito pouco e os casos transbordam’’, acrescenta.
Araújo garantiu que as mortes registradas esta semana não tiveram nada a ver com o atendimento no hospital. O primeiro caso, segundo o diretor, teria sido o de ‘‘uma pessoa de rua’’ que chegou de madrugada, sem acompanhantes, ao hospital. Embriagada, teria dito que queria conmsultar um oftalmologista, especialidade que não existe no Galba. ‘‘Ele entrou e dormiu, só que, pela manhã, estava morto’’, disse Araújo. ‘‘O outro caso é o de uma senhora que estava com a família e faleceu depois de uma parada cardíaca, enquanto recebia atendimento’’, afirmou. ‘‘Realizamos todos os procedimentos de emergência, mas ela não resistiu’’.

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