Dois funcionários da Câmara de SP são presos acusados de extorsão; eles negam
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quinta-feira, 30 de setembro de 1999
Por Natalie Antar 
São Paulo, 01 (AE) - Dois dias após a bancada governista ter enterrado a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das oposições, que investigaria denúncias de irregularidades envolvendo órgãos da administração e parlamentares, dois funcionários do gabinete do presidente da Câmara, Armando Mellão (PMDB), foram presos acusados de concussão (extorsão praticada por funcionário público) e formação de quadrilha. A prisão foi no início da manhã de hoje.
Segundo integrantes da força-tarefa que investiga a máfia dos fiscais, o chefe de gabinete Marcus Feliciano de Oliveira, o Capacete, de 56 anos, e Dolirio Lamonica Teixeira, de 39, são acusados de receber suborno de camelôs e comerciantes da área da Administração Regional de São Miguel, que era comandada pelo vereador. "Temos provas testemunhais e materiais de que os dois recebiam propinas", disse o delegado Wagner Giudice. "O vereador também deve prestar depoimento nos próximos dias".
O delegado ressaltou que seria precipitado acusar outras pessoas ou o próprio Mellão de envolvimento no caso. "Trabalhamos com provas e, por enquanto, só as temos contra os dois funcionários", disse o promotor Roberto Porto. Os acusados
que até a noite de hoje não tinham sido indiciados, devem permanecer detidos cinco dias no 29.º Distrito Policial, na Vila Diva, zona leste, onde está preso o ex-vereador Vicente Viscome. "Não estamos descartando a hipótese de pedir a prisão preventiva", concluiu o promotor. Esquema - A participação do chefe de gabinete no suposto esquema de cobrança de propina está sendo investigada desde o início do ano. Capacete foi acusado pelo ex-chefe do setor de Limpeza da regional Florisvaldo dos Santos de Oliveira, de ameaça de morte. Oliveira, indiciado por corrupção, fez a mesma acusação a Lamonica. Em março, Mellão foi citado pelo ex-agente de apreensão João Augusto da Rocha num depoimento à polícia.
Rocha afirmou que três assessores do vereador - os dois presos hoje e Oliveira - "lotearam" o calçadão da Rua Serra Dourada, em São Miguel. O preço do ponto, segundo ele, variava de R$ 6 mil a R$ 10 mil; a extorsão de ambulantes renderia até R$ 4 mil por semana. Em nota, o vereador afirmou ter recebido com surpresa a notícia sobre a prisão de seu chefe de gabinete. Ele disse confiar na Justiça e esperar que a verdade prevaleça.
O advogado dos acusados, Valter Lopes Estevam, vai pedir à Justiça que reconsidere o pedido de prisão temporária. "Os dois estão tranquilos, não fizeram nada de errado", disse. "Eles me autorizaram a colocar suas contas bancárias à disposição da polícia". Confiança - Funcionário aposentado do Município, Capacete fez carreira como motorista na Prefeitura. Ganhou a confiança de vários prefeitos, aprendeu os segredos da política e comandou campanhas. Em 1979, Capacete começou a trabalhar para o então prefeito Reynaldo de Barros. Tornou-se uma espécie de faz-tudo. "O Capacete trabalhou comigo por quase 20 anos", afirmou Reynaldo à reportagem.
Funcionários da Câmara disseram que Capacete se tornou um líder político na zona leste, o que explica o fato de ter obtido destaque na campanha de Mellão. (Colaborou Flávio Mello)


