Dois corpos encontrados na cratera do metrô
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de janeiro de 2007
Agência Estado 
São Paulo - O Corpo de Bombeiros confirmou ontem a chegada do resgate ao microônibus que está soterrado nos escombros do acidente na linha 4 do Metrô, desde a última sexta-feira. De acordo com as informações, a van está totalmente esmagada, a 25 metros de profundidade. Uma mulher, ainda não identificada, foi encontrada dentro do veículo. Ela é a segunda vítima do acidente. A primeira é Abigail Rossi de Azevedo, de 76 anos, uma aposentada que andava pela rua quando foi tragada pela cratera. O corpo dela foi encontrado na madrugada de ontem.
O vice-governador de São Paulo e secretario estadual de Desenvolvimento, Alberto Goldman, disse ontem acreditar que o motivo da causa do acidente ocorrido nas obras da linha amarela do Metrô tenha sido uma falha de engenharia. Segundo ele, embora o volume de chuvas em janeiro tenha sido elevado, esse é um fenômeno que também é previsível. ''Do ponto de vista da engenharia a única coisa que eu posso dizer, sem culpar o consórcio, sem culpar ninguém, é que houve uma falha. Onde se localizou essa falha, quem falhou e como falhou, só a investigação vai dizer'', afirmou. De acordo com Goldman, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) começará as investigações a respeito do acidente assim que o local for liberado e as buscas pelas vítimas sejam finalizadas.''
Goldman descartou a possibilidade das obras serem canceladas e o contrato com o consórcio ser rompido. ''Não há porque cancelar um contrato de tais dimensões. Os responsáveis têm de pagar em todos os sentidos: do ponto de vista moral, financeiro e político'', analisou. ''Evidentemente, a cidade não deve sofrer com a paralisação de uma obra tão importante que já deveria ter sido feita há pelo menos 30 anos'', finalizou.
A diretoria do Sindicato dos Metroviários de São Paulo se reuniu ontem para discutir sobre as providências que serão tomadas em relação às investigações sobre o acidente. De acordo com a assessoria de imprensa do sindicato, a categoria entrou em contato com a Assembléia Legislativa e pediu uma comissão para investigar a obra.
Os sindicalistas também querem uma reunião com o governador de São Paulo, José Serra, para discutir os rumos da obra. Desde o começo dos trabalhos no ramal, o sindicato informou que já ocorreram 11 acidentes.
A vistoria nas 55 casas interditadas pela Defesa Civil começaram ontem. Os 132 moradores estão hospedados em quatro hotéis da zona oeste. ''O trabalho, agora, é de liberação dessa área (interditada)'', disse o coronel Jair Paca de Lima, coordenador-geral da Defesa Civil. A meta da Prefeitura é terminar as vistorias hoje. Duas casas geminadas na Rua Capri, onde fica o canteiro de obras que desabou, serão demolidas. Maria do Carmo Moreira, de 72 anos, proprietária e moradora do imóvel 187, disse que ela e a vizinha, Carmem Leoni, da casa 87, vão começar a procurar novas residências. Maria do Carmo lamentou pelos pertences que perdeu. ''Só deu para tirar algumas roupas e os meus cristais, mas perdi muita coisa de valor histórico.
Em um dos hotéis onde estão hospedados os moradores que tiveram suas casas interditadas ocorreu a festa de aniversário de Andréia Andrade Bordaz de Souza, de 34 anos. O clima, porém, não foi de comemoração. Um bolo comprado na padaria e as visitas esparsas dos parentes lembravam a todo o instante que casa de Andréia fora demolida no dia anterior.
Ela morava na Rua Capri, número 162, próxima à cratera aberta na sexta-feira. Não se sabe até quando a família Bordaz e outros moradores da região ficarão em hotéis.


