''Nós dois estávamos sentados na sala, meu filho mais velho, de 19 anos, estava no quarto ouvindo música. Os dois meninos menores (de 16 e 11 anos) não estavam em casa. Eles (os assassinos) entraram, de repente, porta adentro, encapuzados. Na hora, não me assustei, até pensei que fosse uma brincadeira de mau gosto de algum amigo. Meu marido já sabia que estava jurado de morte e pulou imediatamente do sofá, porém não deu tempo de nada. Eles atiraram sem nem dar chance de pedir misericórdia''. Eliane Dallemole, viúva de Eli Dallemole, lembra a cena do crime e teme pela vida de outros sem-terra. ''Quatro tiros atingiram o meu marido, mas foram disparados outros. Eram dois homens, eles gritavam que era um assalto, mas não roubaram nada. Outros dois companheiros também estão jurados de morte'', disse à reportagem da FOLHA.
Ontem, os líderes do MST de Ortigueira reuniram os sem-terra que estão em acampamentos e assentamentos da zona rural da cidade para um protesto que passou por algumas ruas do centro do município. Na sequência, um comboio acompanhou o carro da funerária que levou o corpo de Dallemole até a casa onde ele morava, no assentamento Libertação Camponesa.
Na porteira da fazenda onde aconteceu a desocupação, segundo o MST com a ajuda e pistoleiros - no caminho para o assentamento que abriga a família de Eli Dallemole - uma placa indica que ali aconteceu um ''mandato de reintegração de posse feita de forma mansa e pacífica''.(Wilhan Santin/Reportagem Local)

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