Belo Horizonte, 01 (AE) - O baixíssimo número de vagas em centros de Terapia Intensiva (CTI) neonatal na rede pública de Belo Horizonte provocou a morte de dois bebês no fim de semana. Um menino e uma menina morreram vítimas de complicações respiratórias enquanto a Central de Internações da Secretaria Municipal de Saúde tentava em vão encontrar vagas. Apenas 14 leitos de CTI neonatal e 39 de CTI infantil (para crianças de até um ano de idade), em três hospitais da rede pública, estão disponíveis para a população de baixa renda.
Quando o número de pedidos à Central de Internações é alto, a equipe do plantão jurídico tenta conseguir vagas em maternidades particulares por meio de ordem judiciais. Não é raro a vaga só ser conseguida quando já é tarde demais.
Foi o que ocorreu com o bebê de Adriana Gomes Mateus Leite, de 19 anos. A gestante sofria de hipertensão arterial grave e teve o parto antecipado para o sábado, um mês antes do previsto. Pouco depois do nascimento, no Hospital Sofia Feldman, o filho de Adriana sofreu três paradas cardíacas. A Central de Internações foi comunicada da necessidade da vaga em uma CTI neonatal às 2 horas do domingo, mas só conseguiu uma vaga às 8 horas, quando o bebê já estava morto.
O outro bebê que morreu por falta de atendimento intensivo foi uma menina nascida no domingo no Hospital São José do Barreiro, em Contagem. A central de Belo Horizonte foi acionada, mas não havia vaga. "Empenho da nossa parte não falta, mas não temos como inventar vaga que não existe", disse a médica responsável pela central, Marília Helena Cerqueira. "Enquanto não tiver mais vagas o que aconteceu nesse fim de semana pode voltar a acontecer", disse.
Na estimativa da Secretaria de Saúde seriam necessários pelo menos 71 novos leitos de CTI neonatal e infantil e outros 13 em berçários de alto risco. A verba para ampliar o número de leitos foi solicitada ao Ministério da Saúde em junho de 1998, mas até hoje não há definição sobre a liberação dos recursos.

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