Dois bebês morrem ao serem medicados com penicilina
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terça-feira, 24 de junho de 2003
Simone Menocchi<br> Agência Estado 
Taubaté, SP - Dois bebês morreram sábado depois de serem medicados com penicilina injetável no Hospital Universitário de Taubaté, a 335 quilômetros de São Paulo. Ontem, ao tomar conhecimento, o laboratório Prodotti, único fabricante da benzil penicilina potássica no País, paralisou a fabricação do produto. A Polícia Civil está investigando o caso.
Raimundo Ferreira da Rocha, de 20 dias, e Luiz Felipe Emídio, de 37 dias, estavam internados no hospital há uma semana com pneumonia. Na manhã do sábado eles receberam uma dose injetável de benzil penicilina potássica e morreram logo depois. ''Assim que a enfermeira aplicou a injeção ele deu um suspiro e foi perdendo o ar e ficando roxo'', contou a dona de casa Maria de Jesus Ferreira da Silva, de 22 anos, mãe de Raimundo. Ela contou ter pedido socorro para a enfermeira, que a ignorou e aplicou outra dose em Luiz Felipe, de 37 dias. ''Ele estava mamando e morreu segundos depois no meu colo. Um médico só chegou depois de vinte minutos'', disse Fernanda Veloso, de 16 anos. O hospital 157 doses de benzil penicilina potássica, do lote 304032 e havia usado 101 delas sem problemas. As outras 54 foram recolhidas.
Segundo as mães, quando as crianças estavam morrendo elas ouviram um diálogo suspeito entre as enfermeiras, questionando a dose do medicamento. ''Uma perguntou sobre a quantidade e a outra enfermeira respondeu que havia colocado 10 mg. A outra alertou que era somente 5mg e ela havia errado na dose''. A direção do hospital não confirmou a informação das mães.
O Departamento Jurídico do HU informou que vai aguardar a análise das amostras do medicamento no laboratório Adolfo Lutz e instaurar sindicância para apurar o que aconteceu. No atestado de óbito, segundo o pai de Raimundo, Paulo da Rocha, a causa da morte está indeterminada. As famílias se uniram para exigir que os culpados sejam punidos. No hospital a informação foi de que a enfermeira que aplicou o medicamento continua trabalhando normalmente.


