Os doentes de Aids receberão, a partir de julho, cartões magnéticos que darão garantia do fornecimento dos remédios que integram os chamados coquetéis de drogas. O sistema, inédito no mundo, será implantado inicialmente em Brasília, São Paulo, nos estados da região Sul e em Minas Gerais, cobrindo na primeira fase em torno de 80% dos pacientes brasileiros. Serão confeccionados 70 mil cartões para uma demanda inicial estimada em mais de 50 mil pessoas.
São Paulo e Brasília já iniciaram o cadastramento automático dos doentes, e mesmo quem ainda não utiliza a rede pública será incluído no sistema ao comparecer a um posto de saúde. O cartão, idealizado pelo Programa de Combate à Aids do Ministério da Saúde, é similar aos utilizados pelos bancos. De cor verde, ele informa o nome do ministério, o número do código com o dígito controlador e o nome do paciente. O diretor do programa, Pedro Chequer, salientou ontem que o sigilo será mantido.
Terão direito ao cartão os doentes de Aids e aqueles assintomáticos que apresentem alta carga viral ou imunidade 50% abaixo do normal. As duas situações poderão ser detectadas por testes específicos que o governo vai oferecer a partir do próximo mês em 30 laboratórios do País. Segundo Chequer, com o cartão o paciente terá a garantia de receber os medicamentos, uma vez que o sistema controlará estoques, tornando possível prever consumo e providenciar o reabastecimento.
Uma das vantagens para o doente, segundo Chequer, é que o cartão garante o acesso universal às drogas. ‘‘Se a pessoa viajar e, por algum motivo, se atrasar e precisar de remédio, poderá obtê-lo em qualquer posto de distribuição da cidade onde esteja, para não interromper o tratamento’’, explicou o diretor, lembrando que um dos grandes problemas, hoje, é a descontinuidade dos cuidados. ‘‘A interrupção pode fazer com que o vírus se torne resistente às drogas, prejudicando o doente’’.
Numa próxima etapa, o cartão terá função ainda mais abrangente. Os resultados dos testes de imunidade e carga viral serão transmitidos via computador dos laboratórios para o prontuário de cada paciente. A idéia é que o cartão venha a permtir o acesso informatizado a todo histórico médico da pessoa.
Para o governo federal, a inovação promete reduzir gastos desnecessários com medicamentos e a perda de produtos nos postos de distribuição. Segundo Chequer, será possível controlar o meio bilhão de dólares gasto anualmente com a aquisição dos chamados coquetéis anti-Aids. ‘‘Vamos evitar, por exemplo, que um mesmo doente, por receio de ficar sem o medicamento, vá pegá-lo em mais de um lugar, o que já vem acontecendo hoje’’, explicou Chequer. Além disso, será possível saber a validade de cada estoque, para não perder os remédios.
O sistema custou R$ 500 mil, e será integrado por 300 computadores distribuídos entre o ministério, Estados e municípios. O Programa de Aids terá acesso a um leque maior de informações - controle de estoque e compra de medicamentos, distribuição, consumo por Estados, municípios e por posto. Disporá, ainda, de um banco com o registro de todos os médicos credenciados a prescrever medicamentos a pacientes do setor público.

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