São Paulo - ‘‘Jantei e tomei o remédio’’, escreveu Berta, 81 anos, no pequeno bloco de notas. Pela manhã, ela faz um círculo no calendário sobre o dia da semana. À noite, um ‘‘xis’ no mesmo lugar, para saber que aquele dia já passou.
O ‘‘arsenal’’ com bloco, agenda e calendário faz parte de uma estratégia de reabilitação contra o distúrbio neurológico que a atingiu há seis anos, a doença de Alzheimer, a mais comum forma de demência.
Demências são desordens mentais que aparecem principalmente após os 60 anos . Elas são caracterizadas por perda de memória e de funções cognitivas, como atenção, linguagem e capacidade de planejamento, e afetam terrivelmente o cotidiano do paciente.
A doença de Alzheimer atinge aproximadamente 1% da população. Essa incidência chega a 20% aos 80 anos. Ela destrói áreas do cérebro progressivamente, começando pela memória de longa duração, que nos permite lembrar em que dia estamos, o que comemos durante o dia ou se tomamos um remédio horas antes de dormir. O mal não tem causa definida e também não tem cura.
Desde 97, grupos multidisciplinares de neurologistas, neuropsicólogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais começaram a aplicar em vários países técnicas de reabilitação nesses pacientes aliadas a remédios. ‘‘A reabilitação usa recursos ainda preservados do paciente para ‘‘esticar’ sua independência’’, diz o neurologista Paulo Henrique Ferreira Bertolucci, consultor da Associação Brasileira de Alzheimer.

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