Mesmo com investimentos bilionários no combate ao Aedes aegypti, focos são facilmente encontrados
Mesmo com investimentos bilionários no combate ao Aedes aegypti, focos são facilmente encontrados | Foto: Marcos Zanutto



Os mais de dois milhões de casos de dengue notificados no Brasil em 2016 geraram prejuízo de, aproximadamente, R$ 2 bilhões. O cálculo faz parte da pesquisa "Aedes aegypti e sociedade: o impacto econômico das arboviroses no Brasil", elaborada pela consultora Sense Company a pedido da Oxitec. Esta última empresa desenvolve soluções para o controle de insetos e é produtora de Aedes aegypti geneticamente modificados para combater a dengue. As arboviroses pesquisadas incluem febre amarela, dengue, chikungunya e zika, todas transmitidas pelo Aedes aegypti.

Conforme o estudo, o custo total relacionado às arboviroses em 2016 no país foi estimado em R$ 2,3 bilhões, sendo que R$ 1,5 bilhão foi gasto nas ações de combate ao mosquito transmissor da dengue e R$ 374 milhões foram aplicados no diagnóstico e tratamento dos pacientes. O levantamento considerou ainda os custos indiretos com as doenças como faltas ao trabalho e perda de produtividade. Entre os Estados, Minas Gerais foi o que apresentou maior impacto financeiro com, aproximadamente, R$ 324 milhões; seguido de São Paulo (R$ 255 milhões); Bahia (R$ 192 milhões); Rio de Janeiro (R$ 157 milhões) e Pernambuco (R$ 128 milhões).

"Se pensarmos que [o total] significa 2% do PIB, é um custo relevante de doenças que poderiam ser evitadas. É um gasto importante que poderia ser investido em outros fins, em outras áreas de saúde mesmo", afirma Vanessa Teich, fundadora da Sense Company e líder do estudo. O valor é considerado pelos próprios autores como conservador, uma vez que não levou em conta prejuízos de longo prazo com a microcefalia e outras doenças neurológicas, por exemplo, nem com a morte de alguns pacientes. "Representa o mínimo impacto que as doenças tiveram em 2016. É daí para cima", afirma Teich.

PARANÁ
De acordo com a pesquisa, o Paraná ficou em 10º lugar com, aproximadamente, R$ 81 milhões em prejuízos. Porém, o diretor-geral da Sesa (Secretaria de Estado da Saúde), Sezifredo Paz, destaca que, considerando custos diretos e indiretos, cerca de R$ 300 milhões foram gastos durante o período de maior epidemia da dengue no Estado, entre agosto de 2015 e julho de 2016. Nesse intervalo, 56 mil casos de dengue foram registrados pela Sesa, 63 deles resultaram na morte dos pacientes infectados.

"Essas doenças causam um desequilíbrio imenso onde ocorrem. Pressionam a rede de assistência, mexem com a economia, com a produção e até com a mobilidade", avalia. Segundo Paz, algumas cidades tiveram eventos cancelados em razão do medo de infecção pelo vírus da dengue. Outros moradores decidiram mudar temporariamente para municípios vizinhos até o final da epidemia.

"Embora a gente faça a prevenção, e isso tenha um gasto significativo, nós fazemos também o trabalho de rotina para levantar os índices de infestação, remover criadouros e fazer o diagnóstico de pessoas suspeitas. Quando se trata de uma epidemia, os gastos são para enfrentar os efeitos, mas temos também investido na prevenção", conclui o diretor-geral da Sesa. A assessoria do Ministério da Saúde não retornou à solicitação da reportagem para comentar a pesquisa nacional. (Com Agência Estado)

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