Doenças tornam processo ainda mais difícil
Se conseguir uma família para uma criança acima dos 5 anos de idade já é difícil, encontrar pretendentes que aceitam crianças mais velhas e adolescentes com problemas de saúde é ainda mais complicado. Advogada e presidente da Comissão de Adoção do Instituto Brasileiro de Direito de Família, Silvana do Monte Moreira reforça que o trabalho atual deve ser focado na adoção necessária, que significa a adoção de crianças maiores, grupos de irmãos e portadores de doenças, inclusive HIV.
"Hoje, por exemplo, aqui no estado do Rio de Janeiro, temos cinco casais aguardando um bebê HIV positivo. Para os bebês isso não é mais um problema. Ainda continua um problema para crianças a partir dos 5 anos de idade", explica a advogada. "É uma evolução muito grande que eu reputo a um trabalho voluntário dos 136 grupos de adoção existentes no País em parceria com as varas da Infância e Juventude, mas a doença ainda é uma dificuldade, principalmente aquelas que trazem encefalopatia, com redução de movimentos e atraso cognitivo, ou a Síndrome Alcoólica Fetal (causada pela ingestão de álcool pelas mães durante a gravidez)."
Silvana Moreira lembra que o trabalho dos profissionais que atuam nos processos de adoção é direcionado para quebrar o preconceito existente em relação às crianças doentes. "A adoção visa atender o melhor interesse da criança e são essas crianças que a gente tem hoje esperando por um pai ou uma mãe ou por ambos."
Quando se fala em adoção necessária, ressalta Silvana Moreira, o assunto esbarra em questões socioeconômicas, o que torna o processo de adoção ainda mais difícil. "É uma criança cujo custo para mantê-la é maior. Em muitos casos, a gente vai precisar de fisioterapia, de neuropediatra, de uma disponibilidade maior de tempo para essa criança."
Um dos projetos em estudo no Rio é a concessão de cartões de saúde preferenciais para essas crianças de forma que elas tenham assistência médica gratuita garantida pelo poder público, reduzindo os custos da família adotante.
Em Londrina, segundo a juíza de direito substituta da 1ª Vara da Infância e Juventude de Londrina, Isabele Papafanurakis Ferreira Noronha, as famílias contam com a equipe multidisciplinar do Núcleo de Apoio Especializado (NAE). "Damos o apoio e o encaminhamento para que essa família possa tratar e desenvolver essa criança da melhor forma possível, quando a família não tem condições de arcar com essas despesas." (S.S.)





