Doenças reumáticas devem ser tratadas cedo
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segunda-feira, 05 de novembro de 2001
Agência Folha 
Ao contrário do que se pensa, as doenças reumáticas não se restringem às pessoas idosas. Existem formas de reumatismo, como a febre reumática, por exemplo, que podem acometer crianças e adolescentes. Contudo, respondem por metade de todas as enfermidades crônicas em pessoas acima de 65 anos.
Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que o número de vítimas aumentará bruscamente até o ano 2020, devido à duplicação prevista da população com mais de 50 anos de idade.
No Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), mais de 20 milhões de pessoas sofrem de algum tipo dos 108 casos catalogados, segundo informações da Agência Brasil.
Com o objetivo de conscientizar a população brasileira sobre a necessidade de tratar adequadamente as doenças das articulações, foi comemorado, no último dia 30, o Dia Mundial de Luta contra as Doenças Reumáticas, dentro da Semana Nacional de Luta contra as Doenças Reumáticas.
No Brasil, as comemorações foram promovidas pela Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) e suas subsedes espalhadas por todo o país. Várias atividades estão sendo desenvolvidas para elevar o nível de informação da população brasileira sobre o problema. ''O objetivo é dar informação ao paciente e incrementar o entendimento, bem como a atenção a estas doenças, além de lembrar que a busca do atendimento adequado, sem perda de tempo e com o profissional certo, pode curar as formas mais comuns das doenças músculo-esqueléticas'', explica o presidente da SBR, Sebastião Radominski. As doenças reumáticas mais comuns são a artrose (também chamada de ''bico de papagaio'', quando afeta a coluna), a osteoporose, o reumatismo das partes moles (bursite, tendinites e fibromialgias) e a artrite reumatóide (doença que afeta principalmente as pequenas articulações, como as das mãos e pés, e pode levar a deformação com prejuízo da função).
Vítimas de todas elas podem ter muita dor, deformidades ósseas e articulares e incapacidade física. Estatísticas do Ministério da Saúde apontam as doenças reumáticas como segunda maior causa de afastamento temporário do trabalho e a terceira de aposentadoria por invalidez.
Apesar de graves, as doenças reumáticas estão entre as enfermidades que contam com medicamentos capazes de controlar e amenizar seus efeitos.
O primeiro passo, contudo, é a realização de um diagnóstico bem feito. Para isso, de acordo com Radominski, o ideal é que as pessoas que sentem algum desconforto nas articulações procurem um reumatologista, para um parecer mais preciso. ''Quanto mais cedo forem diagnosticadas as doenças, maiores as chances de controle'', completa o médico. Uma vez diagnosticado o tipo de doença reumática, inicia-se a fase do tratamento. ''Foram lançados recentemente no Brasil novos remédios como o infliximab, que pode interromper a progressão da artrite, bem como a glucosamina, que pode também ter papel importante na redução do avanço da artrose. Além disso, os pacientes já podem contar com antiinflamatórios mais seguros, como o celecoxib, praticamente sem efeitos colaterais para o aparelho gastrointestinal, considerados um enorme avanço no tratamento da dor e inflamação'', explica o presidente da SBR.
Segundo o diretor científico da Sociedade de Reumatologia do Rio de Janeiro e professor de Reumatologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Roger Levy, ''nos últimos anos houve grande progresso no conhecimento do mecanismo das doenças reumáticas, assim como no seu tratamento.
''Agora, vislumbramos tratamentos mais seguros e com eficácia tão boa ou melhor que os medicamentos que utilizavamos até há alguns anos'', informa o especialista.
já ultrapassou a marca de 16 milhões de pacientes tratados em 78 países.


