Doenças negligenciadas têm campanha
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quarta-feira, 08 de junho de 2005
Folhapress 
Rio de Janeiro, RJ- Estimular investimentos públicos para combater as chamadas doenças negligenciadas é o principal objetivo da campanha internacional lançada ontem, no Rio de Janeiro, Londres e cidades da África e da Ásia, pela Iniciativa de Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi).
A organização não-governamental, sem fins lucrativos, é formada por entidades e institutos públicos de pesquisa, como a Fundação Oswaldo Cruz e o Instituto Pasteur da França. As informações são da Agência Brasil.
As doenças negligenciadas são chamadas assim por não serem alvo de investimentos do setor privado nem do poder público, são enfermidades para as quais inexistem tratamentos ou as terapias são inadequadas. As principais doenças nessa categoria são mal de Chagas, leishmaniose, doença do sono, malária, tuberculose.
Segundo o coordenador da DNDi para a América Latina, Michel Lotrowska, a campanha não é exclusivamente promovida pela ONG, mas reúne várias parcerias e tem o objetivo de responsabilizar e estimular os governos a investir no desenvolvimento de vacinas, medicamentos e diagnósticos que ajudem no controle dessas doenças, típicas de países pobres, e de outras como a aids, malária e a tuberculose.
Lotrowska revelou que cerca de 35 mil pessoas morrem por dia de doenças que a grande indústria farmacêutica negligencia porque ocorrem em áreas consideradas mercados menos lucrativos. Além disso, dos 1.393 medicamentos desenvolvidos entre 1975 e 1999, apenas 1% foi para tratar doenças tropicais e tuberculose.
''Falta pesquisa para adaptar os recursos existentes para mercados mais ricos às estruturas de países mais pobres. O que hoje se inventa para a aids não é adequado aos países em desenvolvimento, sobretudo, os mais pobres. Tudo é feito se pensando em estrutura de primeiro mundo''.


