Londrina - A notícia de que sofria de miocardiopatia dilatada (uma dilatação no coração) pegou de surpresa o corretor de seguros Marcos Perez, de 60 anos. Após três dias sofrendo com fortes crises de falta de ar, ele resolveu procurar o médico no início da semana. ''Nunca imaginei que teria uma doença cardiovascular. Sou uma pessoa muito ativa, sempre pratiquei atividades físicas e vou ao médico com periodicidade'', afirmou.
Perez ficou internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) até anteontem. Ele disse ter ficado muito assustado com a notícia, que vai exigir dele uma mudança de estilo de vida. ''Admito que chorei quando fiquei sabendo. O médico foi claro ao dizer que terei que diminuir meu ritmo, pois sou muito agitado e trabalho demais. Além disso, terei que administrar alguns medicamentos. Agora tenho que me adaptar a uma nova vida'', conformou-se.
Uma mudança que pode até salvar a vida de Perez. Por isso, o cardiologista Marco Antônio Fabiani, do Hospital do Coração de Londrina, afirmou que o homem deve passar por consulta visitar com um especialista em coração por volta dos 40 anos de idade. Para a mulher, a idade recomendada é 50.
''Mesmo que a a pessoa não apresente nenhum sintoma é importante procurar o médico. Se houver histórico de problemas cardiovasculares na família a consulta deve acontecer mais cedo'', alertou.
Ontem, quando foi comemorado o Dia Mundial do Coração, a Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou que as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em todo o mundo. A cada ano 17,3 milhões de pessoas morrem vítimas de doenças do coração, sendo que 80% desses óbitos são registrados em países de renda baixa ou média. A estimativa é que, em 2030, o total de mortes possa chegar a 23,6 milhões.
Para Marco Fabiani, hipertensão, diabetes, sobrepeso, sedentarismo e alimentação inadequada estão entre os fatores de risco para doenças cardíacas. ''Mais de 50% da população adulta no Brasil apresenta sobrepeso. É um dado preocupante'', apontou.
Para ele, a solução é investir na prevenção. ''Deveriam existir mais políticas para alertar sobre os riscos da obesidade e facilitar a consulta médica no Brasil'', cobrou, destacando que ''com os eficientes recursos de diagnóstico e os medicamentos disponíveis no mercado é possível reduzir a incidência da doença.''
Mas também é essencial a adoção de hábitos alimentares saudáveis. ''Um cardápio balanceado deve ser rico em fibras, ter baixo teor de gordura, privilegiar o alimento cozido e não contar com açúcar e sal em excesso'', orientou.
Para alertar sobre o problema, ontem, a OMS, em parceria com a Federação Internacional do Coração, promoveu em mais de 100 países atividades como ações de prevenção, caminhadas e exposições.
O órgão divulgou uma série de prioridades para os próximos anos, entre elas aumentar a atenção às doenças cardiovasculares na agenda global de saúde; melhorar o atendimento a pacientes vítimas de doenças do coração e derrames; promover dietas voltadas para o bem-estar do coração e atividades físicas para toda a população; melhorar a detecção e o controle da pressão alta em todo o mundo e avançar na conquista de um mundo livre do tabaco. (Com Agência Brasil)

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