Doenças cardíacas são mais graves e letais entre jovens
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quinta-feira, 28 de janeiro de 1999
Por Eliane Azevedo 
Rio, 28 (AE) - Uma pesquisa feita com 236 pacientes entre 17 e 45 anos do Hospital de Cardiologia de Laranjeiras, que pertence à rede federal, mostrou que, apesar de 48% deles não apresentarem lesão coronariana ou terem apenas uma obstrução, 78% foram internados por problemas agudos- 58% tiveram infarto agudo do miocárdio. O trabalho, que será apresentado no Congresso Europeu de Cardiologia, em agosto, confirma uma das principais preocupaçäes dos especialistas: a doença coronariana é muito mais grave e letal entre pessoas mais jovens do que nos que passaram dos 50 anos.
"Embora os mais jovens apresentem lesäes em apenas uma ou duas artérias, enquanto os mais velhos frequentemente têm três ou quatro, elas costumam ser bem mais graves", afirmou o diretor do hospital, Carlos Scherr. Ou seja, no grupo pesquisado, 72% tinham lesäes coronarianas com acima de 60% de obstrução - as lesäes menores, comuns nos mais velhos, variam entre 30% e 60% de obstrução.
Drogas - Entre os que não tinham lesão, Scherr identificou como motivos da doença coronariana o uso de drogas, como a cocaína, ou de medicamentos vasoconstritores, como descongestionantes nasais, por pessoas com tendência a espasmos ou que já sofriam de angina. Entre os que apresentavam lesäes graves, os médicos verificaram que, ao contrário dos pacientes acima de 50 anos, os jovens não tiveram tempo de desenvolver defesas contra a doença.
Defesa - "A doença coronariana é um processo em geral longo, mas, quando uma pessoa jovem tem um infarto, aconteceu um progresso muito rápido na doença", explicou Scherr. No paciente mais velho, na maioria das vezes, a obstrução coronariana foi se formando num período de 20 a 30 anos - no qual o organismo aprendeu a combater com as armas disponíveis a falta do fluxo de sangue. O processo mais comum de defesa é a hipertrofia das artérias colaterais, que interligam as grandes artérias e passam a conduzir mais sangue para diminuir o prejuízo causado pela obstrução.
Nos mais jovens, o processo defensivo não acontece. Além disso, a pesquisa mostrou que a maior parte dos doentes tinha lesão na artéria descendente anterior, a maior das coronárias e que irriga as partes nobres do coração. Dos que apresentavam lesão nessa artéria, 74% tinham de 70% a 100% de obstrução. "A obstrução acontece, na maior parte dos casos, no início da artéria e, portanto, aumenta a área de risco do infarto", disse Scherr. Esses pacientes, segundo ele, sofrem de morte súbita por infarto ou, se sobrevivem, ficam gravemente doentes.


