Doença pode ter causa familiar
Além de raro, o diabetes insipidus pode se apresentar também na forma nefrogênica, cuja causa é familiar e pode estar associado a problemas genéticos. ''O paciente não apresenta falta do hormônio vasopressina. A pessoa até tem o hormônio no corpo, mas o organismo não responde bem a ele'', informa o endocrinologista José Cervantes.
No Brasil, conforme dados da Universidade de São Paulo, existem 285 famílias acometidas por esse tipo de diabetes. ''Normalmente o diabetes insipidus nefrogênico começa na infância e o quadro clínico está relacionado com crianças choronas, irritadiças'', relata Cervantes. ''Quando não ocorre o diagnóstico no primeiro ano de vida, essas crianças podem ter seu desenvolvimento intelectual afetado pelos danos precoces causados no cérebro'', alerta.
Uma característica peculiar que pode ser observada pelos pais para detectar a doença é que ''as crianças que são acometidas pelo diabetes insipidus nefrogênico severo, quando são amamentadas, jogam fora o leite porque querem água. Enquanto não lhe é dado água, ela não aceita o leite, pela sede intensa que sente. O leite materno não sacia a sede dessa criança. Se for um quadro leve, o diagnóstico pode ser tardio. Se a criança não for hidratada adequadamente terá sede e isso pode impedí-la de crescer normalmente'', alerta Cervantes.
Diagnóstico
Para saber qual dos tipos de diabetes insipidus se tem, é necessária a realização do teste de restrição hídrica, ''onde o paciente precisa ficar sem ingerir líquido para mensurar o grau de concentração de sal no sangue que acumulará num determinado período, geralmente de no máximo quatro horas. Normalmente a concentração sanguínea nesse tempo ficará muito alta e o paciente perderá bastante peso num curto período de tempo'', relata o especialista.
Se for o diabetes insipidus, o organismo não responderá ao hormônio. ''Para esses casos são indicadas medicações via oral com antiinflamatório, ou diuréticos tiazidícos, além da restrição do sal na alimentação'', recomenda.
Para o diabetes insipidus central existem tratamentos com hormônios que podem ser aplicados nas formas subcutânea, oral e nasal (via spray). ''Sempre optamos pelo spray, que é o mais prático. Na forma oral o índice de absorção é muito baixo, gira entre 5 e 10% por ter que passar pelo trato gastrointestinal'', finaliza Cervantes.(K.A.)





