Doença não identificada assusta Taquarituba
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quinta-feira, 31 de dezembro de 1998
Agência Estado 
Uma doença até agora não
identificada causou a internação de 17 pessoas nos últimos 15 dias em Taquarituba, a 320 quilômetros de São Paulo. A cidade tem 21 mil moradores e está em estado de alerta sanitário.
A Secretaria Municipal de Saúde está pedindo à população para ter cuidado com alimentos de origem duvidosa, ferver a água e evitar contato com animais domésticos. Segundo o secretário Manoel Campos Júnior, os doentes apresentam febre contínua, dor de cabeça, dores nas articulações e, em alguns casos, sangramento urinário e alteração hepática.
São sintomas comuns a várias doenças, daí a dificuldade em identificar o agente, sem exames mais especializados, disse o Secretário.
Três pessoas estavam internadas até o final da tarde de ontem na Santa Casa de Taquarituba. Outras cinco foram levadas para a Santa Casa de Avaré e uma, em estado mais grave, está sendo tratada no Hospital das Clínicas de Botucatu.
As demais recebem tratamento médico em casa. Amostras de sangue dos doentes foram enviadas ao Instituto Adolpho Lutz, de São Paulo, mas os primeiros resultados só vão sair na próxima semana.
A primeira suspeita dos médicos recaiu sobre a dengue. Uma equipe da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) fez uma varredura na cidade e não encontrou o mosquito transmissor. A leptospirose, doença causada pela urina de ratos, também tem sintomas parecidos. Sua ocorrência está relacionada a enchentes. Mas não tivemos enchentes e os casos estão ocorrendo na região central, envolvendo pessoas da classe média, disse.
Outra suspeita é de toxoplasmose, transmitida por animais domésticos e aves, como o pombo. Um dos casos, num primeiro exame, apresentou sorologia positiva dessa doença, mas a confirmação só pode ser dada após um segundo exame.
A doença raramente incide na forma de surto, como ocorre na cidade. Segundo o secretário, os pacientes não correm risco de vida, mas tornam-se bastante debilitados em razão da febre contínua. Eles estão sendo tratados com antitérmicos e antibióticos. Enquanto não for identificada a causa, não podem receber alta médica. Mesmo porque os primeiros doentes ainda têm febre, disse.


