Doença mental atinge 20% da população
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segunda-feira, 09 de outubro de 2000
Michele Muller De Curitiba 
Depois da dependência química, a esquizofrenia e os transtornos de humor, nesta ordem, são os principais motivos de internamento em casas psiquiátricas do Estado, de acordo com a Secretaria de Saúde. O quadro da falta de saúde mental, no entanto, não pode ser traçado apenas dentro dos hospitais.
É comum e nem sempre detectada facilmente, explica a psicóloga Deisy Joppert, uma das coordenadoras da programação, em Curitiba, do Dia Mundial da Saúde Mental, comemorado hoje. Uma projeção da Organização Mundial da Sáude (OMS) comprova a frequência com que distúrbios mentais atingem a população: 20% da das pessoas apresentam ou ainda vão apresentar algum problema psiquiátrico.
De acordo com Deisy, a agressividade, atos violentos e dificuldade de lidar com situações do dia-a-dia são importantes sinais de transtorno de personalidade. Esses transtornos normalmente aparecem em pessoas com pré-disposição genética a desenvolvê-los. A psicóloga diz que a falta de saúde mental muitas vezes está relacionada à má qualidade de vida. Ela cita o bom relacionamento, a comunicação e a alimentação correta como alguns fatores importantes na prevervação da saúde mental. Em caso de depressão na terceira idade, que é muito comum, é apropriada a participação em grupos de idosos, bailes e cursos, afirma, lembrando que a depressão nem sempre pode ser considerada distúrbio mental.
Dados da Secretaria Estadual de Saúde apontam que somente no primeiro semestre deste ano, 7 mil pessoas foram internadas em hospitais do Estado com distúrbios causados pelo uso de drogas aliado ao de bebidas alcoólicas.
O coordenador estadual de Saúde Mental, Wirmond Luiz Rocha DAngeli, informou que Curitiba foi a capital do Brasil que apresentou maior crescimento no consumo de drogas por adolescentes entre 1996 e 1999. Esse crescimento esbarra no que DAngeli considera um dos principais problemas dos hospitais psiquiátricos do Paraná a falta de leitos para dependentes. Existe uma demanda reprimida no Estado. Na maior parte dos casos os jovens recebem apenas atendimento ambulatorial, disse.
Segundo ele, a falta de leitos é decorrente de um dos artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente, que determina que o atendimento a jovens seja feito em locais com serviços específicos para a faixa etária. Os hospitais não têm essa estrutura e acabam internando apenas pessoas com mais de 18 anos. Dos 19 hospitais psiquiátricos do Paraná, apenas o Adalto Botelho, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, conta com 20 leitos reservados exclusivamente a adolescentes.
DAngeli conta que o incentivo à criação de centros-dia locais responsáveis pela recuperação de jovens durante o dia é um dos principais objetivos da Secretaria de Estado da Sáude este ano. Curitiba e Londrina já contam com centros mantidos pelas prefeituras.


