Doença diminui índice de queixas na Sanepar
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 19 de abril de 1999
Sid Sauer 
Os casos de cólera registrados em Paranaguá estão diminuindo o número de reclamações que chegam ao escritório da Sanepar de Campo Mourão do preço cobrado pela coleta de esgoto.
Até o mês passado, o telefone 195, que atende queixas de clientes, recebia cerca de cinco reclamações por dia contra os 80% que o item esgoto acrescenta ao valor da conta de água. Com a notícia do surgimento de mais de 400 casos de cólera no litoral, as queixas desapareceram.
Ninguém mais ligou reclamando, conta Osvaldo Fernandes Ortiz, que trabalha exclusivamente no atendimento de queixas pelo telefone 195. Pelo contrário, a situação se reverteu, completa.
Segundo ele, desde a semana passada passou a ser comum receber ligações de pessoas que moram em áreas ainda não atendidas pela rede de esgoto querendo saber quando poderão contar com o serviço.
As pessoas estão vendo pelos jornais e pela televisão que a cólera se alastrou onde o esgoto não era tratado, ressalta o gerente da Sanepar de Campo Mourão, Carlos Roberto Pinto.
Segundo ele, a doença chegou ao Paraná exatamente numa hora em que a questão de saneamento está sendo bastante discutida em Campo Mourão. A rede está sendo ampliada e as pessoas resistem ao acréscimo de 80% na conta de água, explica.
Nos últimos cinco anos, a Sanepar investiu R$ 3,7 milhões na ampliação da rede de esgoto em Campo Mourão. Outros R$ 1,8 milhão foram aplicados pelo governo federal e pela prefeitura.
Hoje, outros R$ 3,2 milhões estão sendo aplicados pela Sanepar em outra etapa de ampliação. Graças a isso, o índice da cidade que conta com a rede chegou a 35% e deve ir para 55% até o final deste ano.
A maior dificuldade para os técnicos da Sanepar, no entanto, é convencer os moradores a trocar as velhas fossas pela rede de esgoto. A empresa teve que fazer campanhas de conscientização em todo o município, visitas de casa em casa e trabalhos junto às escolas.
Mesmo assim, a empresa enfrentou resistência. Um grupo de vereadores quer discutir com a empresa a diminuição do preço pago pelo tratamento do esgoto. É muito caro, ataca o vereador Júlio Vieira (PDT). O pobre não pode pagar.
O gerente da Sanepar não concorda. Segundo ele, o serviço vale o preço que tem e a empresa negocia com os clientes para não prejudicar ninguém. A taxa de adesão de R$ 120,00, por exemplo, pode ser paga em até 24 meses.
Ele lembra ainda que metade dos usuários de Campo Mourão paga de água apenas a tarifa mínima de R$ 8,23 o que, com o esgoto, vai para R$ 14,27. Se a pessoa se enquadrar na chamada tarifa social, a conta total não chegará a R$ 5,00. É um custo muito pequeno para o benefício que gera, frisa Pinto.


