'Doença da mulher moderna'
PUBLICAÇÃO
domingo, 15 de outubro de 2006
Lola Felix<br>Agência Estado 
Conhecida como ''doença da mulher moderna'', a endometriose acomete uma em cada dez mulheres na idade fértil - dos 15 aos 45 anos - e geralmente vem acompanhada pelo estresse. O endométrio, um tecido que reveste a parte de dentro do útero, é eliminado a cada menstruação. A menstruação retrógrada, aliás, é uma das causas da doença. ''Nem todas as células do endométrio são eliminadas. Uma parte vai para as trompas ou para a barriga e começa a se multiplicar'', explica a ginecologista e obstetra Fabiane Sabbag, do Hospital São Luiz, em São Paulo.
Fora do lugar, os focos (aglomerados de células do endométrio) podem crescer e atingir vários órgãos, prejudicando seu funcionamento. Normalmente, eles se instalam no ovário, bexiga, reto, trompas e peritônio - tecido que reveste a cavidade abdominal. O maior problema, segundo o cirurgião especializado em endoscopia Lúcio Rossini, também da equipe do São Luiz, é que a endometriose que atinge o cólon pode levar à obstrução desse órgão. O tratamento é feito com um procedimento cirúrgico relativamente simples, a laparoscopia, com a cauterização dos focos.
Após o procedimento, a paciente pode ser orientada a tomar medicamentos que suspendam sua menstruação ou até mesmo a engravidar. ''Em alguns casos, a gravidez pode curar a endometriose'', diz a ginecologista Thais Helena Paes, do Hospital Edmundo Vasconcelos, na capital paulista.
Nos casos mais graves, as mulheres usam medicamentos que bloqueiam hormônios, distribuídos pelo governo, que induzem a uma menopausa. ''É um tipo de bloqueio mais violento, a mulher sente os sintomas do climatério, como diminuição da libido, ondas de calor e alterações depressivas'', diz Thais. Quando isso ocorre, muitas mulheres acabam procurando ajuda psicoterápica e grupos de ajuda. Mais informações: Abend (www.abend.org.br)
SINTOMAS
Dor pélvica, infertilidade, fortes cólicas menstruais, dor na relação sexual, alterações intestinais e/ou urinárias e alterações na menstruação. A gravidade é determinada com uma laparoscopia. A paciente também faz exames de sangue, toque vaginal e ultra-som transvaginal. No grau grave, a mulher pode perder a fertilidade.
TRATAMENTOS
O tratamento de casos graves é cirúrgico, com cauterização dos focos. Após a cirurgia, a paciente pode ser orientada a engravidar ou a usar pílulas anticoncepcionais, para interromper a produção de hormônio estrógeno; Psicoterapia e grupos de ajuda são indicados em alguns casos, pois a doença leva ao estresse.


