São Paulo - A cada cinco minutos, um brasileiro morre vítima de doença cerebrovascular - e o acidente vascular cerebral (AVC) responde por 95% dos casos. Os cálculos foram feitos pela Academia Brasileira de Neurologia (Abneuro), a partir de dados do Ministério da Sa© úde, entre 1999 e 2008. Em 10 anos, o número de mortes por essas doenças no País ficou perto de 1 milhão - 903.223 pessoas.
''As pessoas precisam saber que a doença existe, que pode ser prevenida e que se ela se manifestar, pode ser tratada se o paciente chegar rápido a um hospital que esteja preparado para recebê-lo'', afirmou a neurologista Sheila Martins, do departamento de Doença Cerebrovascular da Abneuro e presidente da ONG Rede Brasil AVC.
São Paulo e Rio de Janeiro lideram o ranking de mortes por doenças cerebrovasculares (categoria em que estão incluídos, além do AVC, aneurisma, trombose e embolia cerebral), com 21.002 e 10.977 mortes, respectivamente. Os dados são de 2008, estatística mais recente do Ministério da Saúde. Em seguida vêm os Estados de Minas Gerais (9.628), Rio Grande do Sul (7.538) e Paraná (6.430).
Para reduzir as sequelas e as mortes é necessário atendimento rápido à vítima de AVC, alerta Sheila. Se a pessoa que tem derrame isquêmico - provocado por entupimento de vaso sanguíneo, que corresponde a 85% dos AVCs - for atendida na primeira hora, a chance de se recuperar completamente é de mais de 80%. Para isso, precisa receber o medicamento trombolítico r-TPA, que só pode ser ministrado até quatro horas e meia depois dos sintomas, e exige paciente em leito monitorado, atendido por equipe treinada.
O problema é que apenas 62 hospitais em todo o País, dos quais 32 públicos, cumprem esses requisitos. E a situação já foi muito pior: há dois anos, quando a Rede Brasil AVC foi criada, eram somente 35 hospitais. ''A situação do país melhorou nos últimos dois anos, mas ainda é pouco, principalmente num país tão grande, com tantas desigualdades. Há um envelhecimento da população e falta do controle de fatores de risco, como hipertensão, diabetes e colesterol elevado, fumo e arritmias cardíacas, o que faz aumentar as mortes por AVC'', afirma Sheila.
A neurologista explica ainda que as pessoas devem ficar atentas aos sintomas de AVC - dormência, boca torta, dificuldade para falar ou compreender a fala, dificuldade para enxergar com um ou ambos os olhos, tontura, desequilíbrio, falta de coordenação e dor de cabeça.

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