Doença arterial atinge todo corpo
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de abril de 2010
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
Apesar de o coração ser o órgão onde ocorre a manifestação clínica mais comum da doença arterial, não é o único. Todo o corpo é atingido. E é com a concepção que ''a doença é uma só'' que o tratamento vem mudando - ao mesmo tempo que profissionais médicos investem em conhecimento mais amplo, a indústria farmacêutica aposta em tecnologia para adaptar para outras áreas do organismo os equipamentos usados na correção de problemas.
No início do mês, o cardiologista intervencionista Valter Lima, docente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e chefe de hemodinâmica e cardiologia intervencionista do Hospital São Paulo, esteve em Londrina para uma angioplastia renal, acompanhada ao vivo, on-line, por outros médicos, entre cardiologistas, radiologistas, nefrologistas e cirurgiões vasculares.
A angioplastia é procedimento já bastante conhecido inclusive da população leiga e é usada como correção de estreitamentos vasculares. Para isso, utilizam-se cateteres, introduzidos normalmente pela coxa do paciente, com balões na extremidade, que são dilatados no nível do estreitamento. Com a passagem aberta, é introduzido um stent, uma pequena mola de aço, que é o que vai manter a artéria aberta e permitir que o sangue volte a circular naquela região. Na área cardiológica ela é usada como opção à cirurgia aberta com a vantagem de ser menos invasiva, além de poder ser usada como prevenção a um evento cardiovascular quando é detectado um entupimento parcial nas artérias cardíacas.
Mas como ''a doença é uma só'', como afirma Lima, é preciso cuidar e tratar de todas as artérias. ''Esse tipo de procedimento (angioplastia renal) deveria ser muito mais comum do que é. Hoje, no Brasil, são 80 mil angioplastias por ano com (colocação de) stent coronariano. Mas, somando os procedimentos feitos em território 'extra-cardíaco', nas carótidas, nas artérias renais e na ilíaca femoral, são apenas 10 mil'', enfatiza.
Mais que alertar para a existência de tratamento para outras áreas do corpo, ressalta o médico, é preciso ficar atento ao fato de que a existência da doença em qualquer artéria significa a possibilidade de manifestação em outra parte do organismo. Assim, quem já sofreu um infarto, pode ter um acidente vascular cerebral (AVC) ou alteração no funcionamento dos rins. ''A diferença é que no rim não há dor, como no coração'', alerta o médico hemodinamicista Samuel Silva da Silva, da Cardiocat, de Londrina. ''Um acidente vascular cerebral é o equivalente no cérebro ao infarto agudo do miocárdio'', ressalta Lima.
A paciente que passou pelo procedimento no início do mês para tratar as artérias renais exemplifica bem essa relação. Com 80 anos de idade, essa não foi a primeira intervenção endovascular, mas precedida por outras na carótida e na coronária. ''É difícil dizer que a vida dela tenha sido prorrogada, mas certamente ela ganhou em qualidade de vida, já que poderia ter tido um AVC ou um infarto e complicações decorrentes. Reduzir o risco de outro evento é evitar que a doença progrida'', avalia Lima.
A angioplastina renal, realizada no Hospital Evangélico e acompanhada on-line, e uma palestra, na Associação Médica de Londrina (AML), para médicos, fizeram parte de um programa denominado ''Tutorial em Angioplastia Renal - Programa de educação médica continuada em Doença Renovascular Aterosclerótica'' que vem sendo apresentado em várias regiões no país. Em Londrina, o especialista veio a convite da Cardiocat.
fique atento
Apesar do coração ser mais atingido, a doença arterial é uma só, e é preciso cuidar e tratar de todas as artérias
Um acidente vascular cerebral (AVC) é o equivalente no cérebro ao infarto agudo do miocárdio
Fonte: cardiologista intervencionista Valter Lima, docente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e chefe de hemodinâmica e cardiologia intervencionista do Hospital São Paulo/ médico hemodinamicista Samuel Silva da Silva, da Cardiocat, de Londrina


