Doença anunciada por atriz provoca dúvidas
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terça-feira, 25 de julho de 2006
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Na semana passada, a atriz Cláudia Rodrigues, de 35 anos, que interpreta a Marinete da série ''A Diarista'' da Rede Globo, revelou que há seis anos sofre de esclerose múltipla, doença que afeta o sistema nervoso central e não tem cura. A notícia fez a população se perguntar como é que alguém tão jovem desenvolve esse tipo de doença e, ainda, como é que a atriz vem conseguindo trabalhar normalmente, sem que ninguém percebesse seu problema.
A revelação veio à tona porque a atriz passou mal e não pôde comparecer à gravação de um dos episódios da série. Quando questionada, Cláudia contou que os sintomas começarama aparecer aos 21 anos, depois que ela teve que enfrentar o suicídio do irmão e a morte do pai, três anos depois, de câncer. O diagnóstico de esclerose múltipla, no entanto, só veio há seis anos. Segundo ela, que está em tratamento desde 2000, a doença está controlada e os surtos só ocorrem em épocas de muito estresse.
Cláudia Rodrigues faz parte da faixa da população mais suscetível ao desenvolvimento da esclerose múltipla. A doença acomete principalmente jovens, na faixa etária entre 20 e 40 anos. Aparece justamente na fase da vida em que as pessoas estão terminando a faculdade, iniciando uma atividade profissional e atravessando um período de estresse mais intenso. Não se conhecem ainda as causas da doença. Sabe-se, porém, que sua evolução difere de uma pessoa para outra e que é mais comum em mulheres e em indivíduos de pele branca, de descendência caucasiana.
A característica mais importante da doença (ver info) é a imprevisibilidade dos surtos. Ou seja, os sintomas são recorrentes e transitórios. ''Muitas vezes, a fase inicial da esclerose múltipla é bastante sutil e está representada por sintomas transitórios que duram uma semana, cinco dias. Essas características fazem com que o paciente não dê importância às primeiras manifestações da doença que, na sua forma mais comum, é remitente-recorrente, ou seja, os sintomas vão e voltam e independem do tratamento'', explica o médico Dagoberto Callegaro, coordenador do Ambulatório de Esclerose Múltipla do Hospital das Clínicas e professor de Neurologia da Universidade de São Paulo, em entrevista publicada no site do médico Drauzio Varella.
Com isso, a pessoa pode passar dois ou três anos apresentando pequenos sintomas sensitivos, pequenas turvações da visão ou pequenas alterações no controle da urina sem dar importância a esses sinais, que em três ou quatro dias desaparecem e são atribuídos ao mau posicionamento do corpo durante o sono ou a um cisco que entrou no olho e turvou a visão, por exemplo. A real situação só será descoberta quando aparecer um sintoma de maior magnitude, como uma fraqueza importante em uma perna ou perda visual prolongada. Só então o médico é procurado. Callegaro lembra, no entanto, que o sintoma que mais leva à procura do médico é a visão dupla.
Segundo a Federação Internacional de Esclerose Múltipla, a doença atinge cerca de 2,5 milhões de pacientes em todo o mundo. No Brasil, a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem) estima que existam mais de 30 mil portadores, sendo que apenas 5 mil recebem tratamento adequado, uma vez que os restantes sequer sabem que têm a doença.
A demora no diagnóstico, segundo o neurologista Pedro Kowacs, é responsável por sequelas mais significativas. ''O diagnóstico precoce é importante porque o tratamento controla a progressão da doença'', explica. Tratam-se de medicamentos imunomoduladores e imunosupressores que agem reduzindo a frequência e intensidade dos surtos.


