Doença acompanhou Sodré durante toda a carreira
São Paulo, 15 (AE) - A insuficiência respiratória que levou à morte o ex-governador de São Paulo e ex-ministro das Relações Exteriores do governo do ex-presidente José Sarney (PMDB), Roberto Costa de Abreu Sodré, acompanhou-o durante toda a carreira. Vítima de pneumonias severas, Sodré teve de interromper várias vezes as viagens a serviço do Itamaraty para ser internado. Se a doença era recorrente, Sodré era perseverante nas idéias, que nunca deixou de defender, tendo sido preso em diferentes ocasiões. A militância contra o Estado Novo levou-o à prisão em 1937.
Nascido na capital de São Paulo, em 21 de junho de 1918, foi o 12º filho do deputado Francisco de Paula de Abreu Sodré e de Idalina de Macedo Costa Sodré. Concluiu o primário e o secundário no Liceu Rio Branco e bacharelou-se pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco (USP).
O envolvimento com as questões nacionais se deu logo no primeiro ano do curso, quando as liberdades essenciais haviam sido suprimidas e as portas das casas legislativas, cerradas. Depois de formado, advogou durante algum tempo, mantendo-se paralelamente ligado à atividade agrícola da cafeicultura. Era considerado um político fiel à UDN, partido ao qual se filiou, em 1945.
Amigo do mais feroz orador da história política do Brasil, o udenista Carlos Lacerda, ele logo se tornou figura de destaque no partido, elegendo-se pela primeira vez deputado estadual, em 1950, e reelegendo-se em 1954 e 1958. Em 1960, foi presidente da Assembléia Legislativa de São Paulo e, no mesmo ano, apoiou a candidatura de Jânio Quadros à Presidência.
Assim como o amigo Lacerda, Sodré foi um polemista apaixonado. No primeiro mandato, tornaram-se famosos os debates, e até as brigas, no plenário da Assembléia, principalmente com a deputada Conceição da Costa Neves. Outra discussão que ganhou notoriedade foi a polêmica com o senador Jarbas Passarinho (PPB) - a "batalha verbal", como foi chamada -, acompanhada pelos principais jornais. Houve réplicas e tréplicas, tudo por causa da discordância em relação ao instrumento de exceção defendido pelo senador, o Decreto 477.





