Documentos sobre efeito estufa impressionam Do correspondente Gilles Lapouge
Paris, 27 (AE) - Afinal, o clima está se aquecendo ou não? Este célebre "efeito estufa" é algo comprovado ou é apenas um rumor? Faz agora, ou não, mais frio do que há 50 anos? Muito difícil responder a estas perguntas, visto que os cientistas especializados no assunto estão muito confusos e os sinais sobre os quais se poderia apoiar uma demonstração são muito incertos.
Em nossos dias, entretanto, foram publicados alguns documentos que impressionam. Eles apostam infelizmente num aquecimento, pelo menos nas regiões frias do Pólo Norte. Segundo a revista norte-americana Science, duas séries de observações atestam isso.
Primeira observação: os satélites dizem que a massa de gelo ártico (o gelo flutuante que cobre quase 15 milhões de quilômetros quadrados) diminuiu, desde 1978, 37.000 quilômetros quadrados por ano - a França mede 550.000 quilômetros quadrados. É um fato que deve causar alarme.
Mas aqui está o pior: submarinos nucleares fizeram outras medidas para saber se essa massa de gelo diminuía também em espessura. A resposta apresentada por um oceanógrafo de Seattle, Andrew Rothrock, é implacável: sim, a espessura diminuiu. Em 30 anos, caiu de 3,1 metros, para 1,8 metros. Em palavras mais claras: perdeu quase a metade de sua espessura.
Duas perguntas são então feitas. A primeira é - Por quê? E a segunda - Quais as consequências?
O motivo é complexo e já se vislumbra uma batalha entre especialistas. Duas hipóteses: poder ser que a ação dos homens (o efeito estufa) faça aumentar as temperaturas e o gelo derreta. Ou então, os homens não têm nenhuma influência e estamos assistindo ao início de um ciclo climático, tal como existiram muitos outros nos tempos geológicos.
Alguns cientistas evocam ainda uma terceira hipótese. Os quebra-gelos europeus notaram há alguns anos, a presença de uma corrente submarina desconhecida até então, uma massa de água, ao mesmo tempo salgada e quente, que estaria deslisando sob a massa de gelo polar. Esta água salgada teria o duplo efeito de abaixar o ponto de congelamento (água salgada) e de fazer derreter o gelo (água quente).
Quanto ao efeito estufa, se ele é culpável, seus efeitos são também discutidos. A elevação da taxa de óxido de carbono na atmosfera - causa do efeito estufa - aumenta certamente a temperatura média do planeta, mas de maneira desigual.
As regiões quentes não seriam muito afetadas, mas as regiões frias o seriam enormemente. O laboratório francês de climatologia afirma: "Se a temperatura aumentar 1º centígrado no Equador, subirá 5 graus no Pólo Norte". Por quê? Um mistério
mas acreditemos na palavra destes cientistas.
Mas há algo ainda mais supreendente. Um aquecimento ártico teria efeitos violentos sobre a Corrente do Golfo, corrente de água quente que passa de leve pelas costas da Europa Ocidental, até o Spitzberg (Paris, que está na latitude de Nova York, é bem mais quente que Nova York) Para que funcione uma corrente, como a do Golfo, deve haver duas fontes, uma quente e outra fria. Se o gelo derreter, então a fonte fria se esgotará e a Corrente do Golfo se enfraquecerá.
Perspectiva semelhante nos mergulha em pleno paradoxo porque, se realmente a Corrente do Golfo ficar assim enfraquecida, então toda a Europa Ocidental cessará de ser aquecida por esta corrente. Em outras palavras, o efeito estufa, o aquecimento do Planeta e singularmente do Pólo Norte, essa fonte da massa polar
teriam uma consequência espantosa. Sem a Corrente do Golfo, a Europa teria cada vez mais frio. Os especialistas em previsões dizem que a França poderia tornar-se tão fria quanto Quebec.
Tudo isso dá vertigens e produz alguns arrepios. Uma única consideração pode nos tranquilizar. Através desses estudos, as modalidades dos climas aparecem como mecânicas tão finas e complexas, que tudo pode acontecer. Estamos mergulhados no aleatório e, consequentemente, toda previsão, seja qual for, sombria ou clara, deve ser considerada apenas como hipótese, jamais como certeza.





