Brasília, 2 (AE) - Um dia após anunciar a união das duas empresas para criação da Companhia de Bebidas das Américas (AmBev), Brahma e Antarctica protocolaram hoje (2) na Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça pedido de aprovação da fusão. Foram entregues três cópias do contrato, criando a nova firma, e da petição de 31 páginas, explicando que se juntaram para ganhar condições de concorrer no mercado internacional e garantindo que a concorrência interna não será prejudicada.
Uma das cópias do documento foi encaminhada à Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda (Seae), outra ficou na SDE e outra vai ao Conselho Administrativo de Direito Econômico (Cade). Cabe à Seae dar o primeiro parecer sobre o assunto, avaliando o impacto da concentração no mercado de cerveja, refrigerante, isotônicos, água mineral e chás. Tem 30 dias para fazer esse trabalho, prazo igual e não-simultâneo dado à SDE para preparar a instrução processual que será encaminhada ao Cade. O conselho disporá de mais 60 dias para julgar a fusão.
Na petição protocolada hoje, os advogados da AmBev apresentam a nova empresa como a "primeira multinacional genuinamente brasileira", que já nasce como a quinta maior empresa do mundo e tem por objetivo consolidar-se no continente. Eles explicam ainda que "a grande concorrência a ser preservada está na distribuição e não na fabricação". E argumentam que com a existência de um milhão de varejistas no País "fica difícil a cada dia manter os velhos conceitos de pontos de venda exclusivos".
O documento ressalta que a criação da AmBev "propiciará as condições necessárias à internalização do guaraná". O refrigerante "genuinamente brasileiro" é o único, na opinião deles, em condições "de enfrentar o domínio da coca-cola". Um dos advogados da Ambev, Carlos Francisco Magalhães, explica que as empresas se uniram mas manterão a administração e marketing separados. E os consumdores terão os produtos de sua preferência no mercado. "O gosto não seria bom, se misturássemos todas as cervejas (Antarctica, Brahma e Skol) no mesmo caldeirão)", brinca. Ele conta ainda que a estratégia será igual a de quando a Brahma comprou a Skol: as marcas foram mantidas.

mockup