O Vaticano divulgou ontem o documento ‘‘Para uma Melhor Distribuição da Terra - O Desafio da Reforma Agrária’’, feito pelo Pontifício Conselho de Justiça e Paz, depois de cinco anos de trabalho. A ocupação de terras no é um sinal da urgência de fazer uma reforma agrária eficiente, em alguns casos pode ser legítima, mas permanece um ato ‘‘não conforme aos valores e regras da convivência civil.’’ A avaliação está no documento sobre a questão fundiaria.
O documento, apresentado em Roma pelo presidente do Conselho, cardeal Roger Etchegaray, chefe do grupo de estudos, condena o latifúndio, considerado ‘‘ilegítimo’’. Para a Igreja Católica ele contrasta com o princípio de ‘‘que a terra foi dada a todos, não apenas aos ricos’’. ‘‘Ninguém tem o direito de reservar para seu uso exclusivo o que é supérfluo quando a outros falta o necessário’’, diz o texto. O Vaticano propõe uma reforma agrária eficiente e justa, respeitando o projeto de Deus segundo o qual as riquezas devem ser consideradas bem comum de toda a humanidade.
Preparado por uma comissão de religiosos e especialistas em economia, o documento contou com a colaboração do episcopado e governo brasileiros, além de institutos de pesquisa. O próprio cardeal Etchegaray esteve várias vezes no Brasil. Durante a apresentação ele reafirmou que o texto não se refere a um país em particular e citou os problemas de países africanos, da Austrália e das Filipinas. Mas considerou o caso brasileiro o exemplo mais evidente dos contrastes e da injustiça na distribuição da terra. ‘‘Uma situação insupórtavel’’, definiu, lembrando os casos de violência e assassinatos.
Em 52 páginas o documento vaticano examina a excessiva concentração da terra em grandes propriedades e a ‘‘pulverização de pequenas empresas, quase sempre à margem do mercado’’.

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