São Paulo, 30 (AE) - Um documento confidencial do FMI responsabiliza a gestão do ex-presidente Carlos Menem de falta de transparência. É o que revela o jornal Clarín em sua edição de hoje (30). O diário teve acesso exclusivo ao documento. Segundo o documento, "o descontentamento social na Argentina foi alimentado pela falta de transparência e excesso de gastos" do último governo.
O informe do FMI destaca que o ex-presidente deixou como herança ao novo governo um déficit de US$ 10,8 bi e um clima de descontentamento social fruto do desemprego e pobreza. O documento também lembra que no último ano de mandato do menemismo, a dívida externa aumentou 8% e está atualmente em US$ 133,183 bilhões.
O documento, denominado "EBS-00-20", é qualificado como confidencial. Foi assinado por técnicos do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI. O teor do texto foi discutido em reunião do FMI de 10 de março, embora esteja datado de 24 de fevereiro. Os parágrafos mais duros contra Menem e os que insinuam que teria havido corrupção em seu governo se encontram no capítulo "Avaliação da Equipe".
Na página 29 lê-se: "A pobreza aumentou, piorou a distribuição de renda e cresceu o desemprego. O descontentamento social também foi alimentado pela persistência de altos índices de evasão de impostos. As eleições de 99 não facilitaram uma resposta política adequada. Na realidade, a disciplina fiscal se enfraqueceu, assim como as reformas estruturais do país". Os técnicos do FMI também ressaltaram que a província de Buenos Aires "foi responsável por cerca da metade do déficit das províncias".

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