O Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo prepara um documento para a assembléia-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que começa quarta-feira em Itaici, São Paulo. O documento é um protesto contra o Novo Mundo Rural, o projeto de reforma agrária do segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso. ‘‘Não é essa a reforma agrária que queremos; ela é vazia porque quer eliminar o instrumento básico da desapropriação de terras pelo Estado’’, afirmou ontem o integrante do fórum e coordenador do Setor Pastoral Social da CNBB, d. Demétrio Valentini.
Segundo ele, o novo programa de assentamentos nada mais é que uma forma de o governo ‘‘lavar as mãos’’ em relação à reforma agrária. ‘‘É privatização’’, acusou o bispo. D. Demétrio anunciou que, no primeiro dia do encontro em Itaici, começará a marcha dos sem-terra em direção às capitais do País.
Alguns integrantes do fórum acabaram de retornar de Washington, onde entregaram relatórios ao Banco Mundial (Bird) criticando o Banco da Terra. O governo brasileiro está negociando com o Bird um empréstimo para montar o projeto. Segundo a deputada federal Luci Choinacki (PT-SC), o fórum já começou a reunir provas atestando que, para conseguir vender propriedades usando o novo esquema de financiamento, os fazendeiros criaram associações de agricultores falsas. Luci argumentou que, nesse sistema, os preços da terra são exorbitantes e a corrupção, generalizada.

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