Brasília, 09 (AE) - O Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo prepara um documento para a assembléia-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que começa quarta-feira em Itaici, São Paulo. O documento é um protesto contra o Novo Mundo Rural, o projeto de reforma agrária do segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso.
"Não é essa a reforma agrária que queremos; ela é vazia
porque quer eliminar o instrumento básico da desapropriação de terras pelo Estado", afirmou hoje o integrante do fórum e coordenador do Setor Pastoral Social da CNBB, d. Demétrio Valentini. Segundo ele, o novo programa de assentamentos nada mais é que uma forma de o governo "lavar as mãos" em relação à reforma agrária. "É privatização", acusou o bispo. D. Demétrio anunciou que, no primeiro dia do encontro em Itaici, começará a marcha dos sem-terra em direção às capitais do País.
Ele disse que, para "salvar a reforma agrária constitucional", membros do fórum pretendem também distribuir cartilhas e panfletos e fazer manifestações para sensibilizar a população a gritar contra o Novo Mundo Rural. Bird - Alguns integrantes do fórum acabaram de retornar de Washington, onde entregaram relatórios ao Banco Mundial (Bird) criticando o Banco da Terra. O governo brasileiro está negociando com o Bird um empréstimo para montar o projeto. Segundo a deputada federal Luci Choinacki (PT-SC), o fórum já começou a reunir provas atestando que, para conseguir vender propriedades usando o novo esquema de financiamento, os fazendeiros criaram associações de agricultores falsas.
Luci argumentou que, nesse sistema, os preços da terra são exorbitantes e a corrupção, generalizada. "Os fazendeiros livram-se das terras ruins, recebem o dinheiro e o compromisso de pagar será do produtor", diz ela. Luci lembra ainda que, depois de comprar a terra, o pequeno agricultor não tem acesso a créditos da reforma agrária.

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