Um documento obtido ontem pela reportagem comprova o patrulhamento do grupo por parte das Forças Armadas dentro da Operação Condor (acordo de cooperação para o combate articulado a opositores entre os serviços de inteligência de seis países sul-americanos que viviam sob ditadura militar). Em 21 junho de 1974, três semanas antes do desaparecimento dos guerrilheiros, a Artilharia Divisionária da 6ª Divisão do Exército, em Porto Alegre (RS), enviou um ‘‘pedido de busca’’ de Onofre Pinto aos militares do Uruguai.
O ofício, tratado como confidencial dentro dos quartéis, pede aos uruguaios ‘‘a localização do elemento Onofre Pinto, um dos asilados políticos, cuja liberdade foi negociada pelos terroristas, pelo embaixador dos EEUU, que tinha sido sequestrado’’. A solicitação descreve: ‘‘Informações dão conta provável vinda de Onofre Pinto próximos dias Brasil VG fim executar operação’’. Mais adiante relata ser necessário intensificar a vigilância com fim de capturar Onofre em provável entrada no País.
O mesmo documento teria sido enviado ao governo argentino, resultando na troca de informações que viriam a resultar na emboscada feita em Santo Antônio do Sudoeste (97 km a oeste de Francisco Beltrão, na fronteira com a Argentina). Para o deputado federal Nilmário Miranda (PT-MG), caso o governo brasileiro abrisse os arquivos militares da época da ditadura, vários casos de desaparecidos políticos poderiam ser esclarecidos. (A.P).

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