Rio, 21 (AE) - Os procuradores Arthur Gueiros e Raquel Branquinho afirmaram hoje que há fortes indícios de que o ex-presidente do Banco Central, Francisco Lopes, estivesse à frente da empresa de consultoria Macrométrica no período em que ocupava a presidência do BC. Entre o material apreendido pelo Ministério Público na casa de Lopes está um texto manuscrito com data de dezembro de 1998, em que constam orientações sobre a movimentação das contas correntes e das cotas da consultoria. De acordo com uma testemunha, a letra do texto seria de Lopes. "Se isso for comprovado no exame grafotécnico, a importância política é enorme", disse Raquel. "Seria o presidente do Banco Central passando orientações para uma empresa privada da área".
A carta estabelece um compromisso entre Fábio, que seria o sócio da Macrométrica Fábio Miguel Lyrio, e Ciça, apelido da mulher de Lopes, Araci Pugliese, - para quem o ex-presidente do BC passou suas cotas da consultoria quando assumiu o cargo no banco. De acordo com o manuscrito, Fábio encerraria suas contas correntes por três anos. Nesse período, deveria transferir cotas da Macrométrica Sistemas para Ciça e receberia dela um valor correspondente à retirada de lucros de 48% da empresa. Ainda segundo o texto, Ciça se comprometeria a transferir de volta a Fábio as cotas ao final de três anos.
"Como se trata de um original supostamente escrito por Lopes é um forte indício de que ele estaria gerindo uma empresa de consultoria", afirmou Arthur Gueiros. "Por isso estamos pedindo o exame grafotécnico de todos os documentos". Segundo o procurador, a testemunha informal seria um parente de Lopes. Quebra de Sigilo - Os procuradores esclareceram que não foi pedida a quebra de sigilo bancário, fiscal ou telefônico dos envolvidos no caso. "Foi pedida apenas a quebra do sigilo dos dados coletados em arquivos magnéticos, como computador, secretária eletrônica etc.", afirmou Raquel. "Para pedir essa quebra, temos que definir o período que queremos, entre outras coisas". Na avaliação de Gueiros, no entanto, a quebra do sigilo bancário não vem se mostrando uma prova não muito produtiva. "A oitiva das testemunhas é mais relevante", afirmou.

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