Curitiba - Plantador de árvores desde a adolescência, o cineasta Fernando Meirelles é coprodutor do documentário Lei da Água, do diretor André D’Elia, que explica a relação entre o novo Código Florestal e a crise hídrica brasileira. As mudanças na legislação, aprovadas em 2012 e defendidas principalmente pelo agronegócio, resultaram em uma diminuição das áreas de proteção permanente em propriedades rurais do País. "É um case de sucesso, porque é um documentário muito específico. São deputados ruralistas falando por que temos que acabar com a floresta, alguns cientistas destacando a importância e juristas explicando o código", afirmou.
A pré-estreia aconteceu em setembro de 2014, no auditório do Parque Ibirapuera, em São Paulo. De lá para cá, a película tem sido exibida em todo o Brasil, de forma colaborativa e participativa. "A gente já fez perto de 180 sessões. Passou em assembleias de vários estados e no Congresso Nacional. Se você entrar no site (aleidaaguafilme.wordpress.com) também pode se cadastrar e levamos o filme para onde for, junto de duas ou três pessoas. Isso porque não é só assistir. Tem toda uma discussão", disse. Em 2015, o documentário começou a ser exibido também nos cinemas, via crowdfunding, iniciativa de financiamento coletivo na qual as pessoas pagam sua entrada antes, de forma a garantir público.
Meirelles contou que sempre se interessou pelas causas ambientais, muito por conta da paixão da avó e da mãe pela natureza. O envolvimento mais efetivo, no entanto, se deu a partir de 2005, quando ele decidiu acabar com o gado de suas fazendas – em São Paulo e Minas Gerais – e recuperar as matas ciliares. "Fiz reserva legal, com 30 metros de cada lado, sendo que o código prevê 5 ou 6 metros. Melhorei a diversidade e plantei novas espécies nativas. Estou, aos poucos, substituindo a cana por mogno africano. Daqui a dez anos, quero que as fazendas sejam só árvore. Essa ainda é a melhor maneira de tirar carbono da atmosfera", defendeu. (M.F.R.)

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