Curitiba - Professores da rede estadual de ensino que precisam atender alunos com deficiência ou altas habilidades intelectuais não se sentem qualificados para a tarefa. A conclusão é de uma pesquisa do Tribunal de Contas do Estado (TCE) que entrevistou 1.623 docentes. Desses, 75% consideram insuficiente a capacitação profissional que receberam. Em 63,6% dos casos os professores também apontam a falta de material didático como um problema e para 56,3% a dificuldade é a superlotação das salas de aula.
Segundo o TCE, a Secretaria de Estado da Educação (Seed) não cumpriu a meta de qualificar 5.255 docentes para a inclusão de alunos especiais. Destes, apenas 1.583 receberam cursos de qualificação, cerca de 30% da meta inicial.
Segundo a chefe do Departamento de Educação Especial da Seed, Angelina Matiskei, os dados da pesquisa são resultado do processo de inclusão de crianças especiais no ensino regular. ''Não se faz uma inclusão por decreto. Se faz com mudança de mentalidade'', afirmou. ''Entendemos perfeitamente essa angústia do professor. Mas foi justamente por isso que o governo realizou dois concursos públicos para a contratação de especialistas para que esses profissionais pudessem compor justamente essa rede de apoio'', explicou.
Cerca de quatro mil alunos especiais já foram incluídos em escolas de ensino regular da rede estadual, informou Angelina. Segundo a professora, trata-se de um processo ainda em andamento. ''Às vezes um professor recebe qualificação para lidar com uma determinada deficiência porque tem um aluno em classe, mas no semestre seguinte ele recebe outro aluno, com outra deficiência para a qual ele ainda não foi qualificado'', disse.

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