DOCE TENTAÇÃO
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de março de 2007
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Na Páscoa, época de maior apelo para consumo de chocolate, fica difícil resistir a essa delícia. O chocolate traz benefícios à saúde, mas também pode causar alguns males. Equilibrar a balança do que é positivo com o que é negativo é um complicado jogo de moderação.
A composição do chocolate é basicamente cacau, gordura e açúcar. O cacau, segundo a nutricionista Clísia Mara Carreira, professora do departamento de ciências farmacêuticas da Universidade Estadual de Londrina (UEL), é rico numa substância chamada flavonóide, a mesma presente no vinho. Essa substância é anti-oxidante, e combate os radicais livres presentes no organismo.
Tudo isso causa dois efeitos importantes para a saúde - o benefício cardiovascular, com a diminuição da formação de placas de gordura na artéria, e o efeito vascular, com a melhora da circulação e oxigenação cerebral. ''Esse efeito é especialmente importante para quem tem pressão alta, para evitar acidente vascular cerebral (AVC)'', explica a nutricionista, ressaltando que apesar dos estudos científicos ainda não serem conclusivos, esses efeitos tem repercussão principalmente entre a população idosa.
O chocolate ainda tem substâncias capazes de ativar a serotonina, neurotransmissor responsável pelo humor e sensações de bem-estar e saciedade. ''É por isso que o chocolate 'acalma'', ressalta. E é por isso também que o alimento, assim como o açúcar, é bastante procurado pelas mulheres no período pré-menstrual, quando pode haver um déficit de serotonina no organismo.
O único problema é que, apesar dos benefícios, o chocolate também é bastante calórico por causa do açúcar e da gordura presente no alimento. O chocolate ao leite, por exemplo, tem 568 calorias (kcal) em 100 gramas, e o chocolate amargo, 544 calorias (kcal).
A nutricionista lembra que evitar consumo em excesso de gordura e açúcar, principalmente na infância, evita males como a obesidade infantil e as cáries. ''O chocolate tem benefícios, mas ao mesmo tempo é preciso controlar o consumo'', avalia.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) não estabelece uma quantidade máxima permitida de chocolate a ser ingerida por dia, mas alguns especialistas trabalham com a quantia de 50 gramas. Essa quantidade de chocolate é recomendada por nutricionistas como o máximo tolerado por dia para que se possa usufruir dos efeitos benéficos do alimento, sem recair na obesidade.
Clísia explica que mesmo assim é preciso escolher bem o chocolate que se come e ficar atento aos rótulos. As melhores escolhas são aqueles chocolates ''puros'', sem recheios ou castanhas, para evitar acréscimo de gordura. ''Mas se for escolher entre um com castanha e outro com crocante, que é açúcar puro, o de castanha é melhor'', afirma.
Nos rótulos também é possível ver a quantidade de gordura saturada (animal) e se há gordura trans, que, dependendo do processo de fabricação, pode estar presente. ''A quantidade máxima de gordura por dia deve ser de até 30% do total de calorias ingeridas, e desses apenas 10% pode ser gordura saturada'', alerta.
Apesar da diferença calórica do chocolate ao leite e do amargo ser pequena, o último continua sendo a melhor escolha, já que tem maior quantidade de flavonóides e traz mais benefícios à saúde.


