Dobrada, SP, 18 (AE) - Com cerca de 7 mil habitantes e dependente das lavouras de cana e laranja das cidades vizinhas, Dobrada, na região de Ribeirão Preto (SP), atravessa uma crise administrativa sem precedentes. Cassado quinta-feira, o prefeito Sidney Paulo Cimatti (PTB) não foi afastado do cargo graças a uma liminar antecipada. O juiz da 3.ª Vara de Matão, José Alonso Beltrame Júnior, que suspendeu os efeitos da sessão da Câmara, deve dar uma sentença até novembro. Além disso, o funcionalismo está em greve há dois meses.
Cimatti teve várias acusações investigadas, como abastecer carro particular com verba pública, não repassar o duodécimo à Câmara, não pagar servidores, não responder a requerimentos dos vereadores e não recolher impostos como INSS, FGTS, PIS e Pasep. Dos 13 vereadores, 11 optaram pelo afastamento do prefeito - que tem a mulher, Neide Lafúria Cimatti como vice.
Segundo o presidente da Câmara, Marcio Torres (PT), a maioria dos 130 servidores aderiu à greve - o funcionalismo não recebeu os quatro últimos salários. Só os serviços essenciais foram mantidos. Torres acredita que o juiz poderá confirmar a cassação, já que a Câmara, que tinha dez dias para dar explicações sobre o processo de impeachment, contestou, na sexta-feira, as alegações do prefeito - Cimatti recorreu à Justiça alegando que os motivos da criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) tinham sido evasivos.

mockup