'Doando sangue pela educação'
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segunda-feira, 25 de junho de 2012
Érika Gonçalves<BR>Reportagem Local 
Londrina - Docentes e servidores da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e do Instituto Federal Superior do Paraná (IFPR), em greve desde 17 de maio e 15 de junho, respectivamente, compareceram ao Hemocentro do Hospital Universitário (HU) de Londrina na manhã de ontem para doar de sangue e fazer a inscrição no Cadastro de Doadores de Medula Óssea.
Cláudio Ueno, professor da UTFPR, explicou que o grupo reivindica não somente o aumento salarial de 22,08%, mas também a estruturação da carreira única, valorização da titulação e do regime de trabalho, incorporação das gratificações e a paridade entre os profissionais ativos e aposentados.
''Os professores estão sobrecarregados, não temos tempo para fazer pesquisa nem orientar outras atividades acadêmicas, o que provoca queda na qualidade de ensino'', explicou.
Isabel Craveiro Moreira, doadora assídua de sangue e professora da UTFPR, destaca que com a doação os professores querem mostrar que a greve não é ''uma bagunça'' e sim um ''movimento sério''. ''Além de estarmos ajudando a comunidade, também estamos dando exemplo para os alunos. É uma mostra de cidadania e amor ao próximo'', destacou.
Alunos e a comunidade também foram convidados a colaborar com o Hemocentro, que chega a ter uma redução de até 40% no número de doações no inverno. O estudante do segundo ano de engenharia ambiental da UTFPR, Yuri Mendes, doou sangue pela segunda vez. ''A primeira foi no começo do ano letivo, na própria Universidade, dentro da proposta de doação de todo início de período'', justificou. ''Essa também é uma forma de apoiarmos os professores na greve. Estamos chamando a atenção da sociedade para o problema da educação e ainda realizamos uma atividade de cunho social.''
Eliana Aparecida Palu Rodrigues, assistente social do Hemocentro, explica que as doações caem no inverno porque as pessoas saem menos de casa, muita gente viaja de férias e, justamente por isso, pode haver maior demanda devido a acidentes.
''Mesmo os doadores frequentes podem não vir porque com o tempo frio aumenta o número de infecções e enquanto a pessoa está doente, não pode doar. Se tomar antibiótico, por exemplo, é necessário aguardar 15 dias após o término do remédio para doação. A vacina da gripe também é um empecilho, é necessário aguardar 48 horas'', apontou.


