Atualmente, mães que engravidam a fim gerar um doador compatível para um irmão vítima de leucemia têm 25% a mais de possibilidade de sucesso do que há alguns anos. Isso porque já é possível determinar a compatibilidade do embrião antes do implante. Em março, foi realizado o primeiro diagnóstico de compatibilidade no Brasil.
Uma família mineira conseguiu gerar um irmão compatível com a filha de sete anos, vítima de anemia fanconi. As células do embrião do garoto foram congeladas para que os pais obtenham na Justiça o direito de usá-las no tratamento da filha mais velha. É que a lei brasileira permite que células do cordão umbilical sejam usadas apenas para benefício próprio.
Esse tipo de procedimento é polêmico até na Espanha, onde funciona o renomado Instituto Valenciano de Infertilidad. ''A Igreja é contra e o assunto é controverso até filosoficamente: é ético gerar uma vida com a finalidade de salvar outra?'', questionava a bióloga espanhola Mireia Florensa, na coletiva de imprensa do Serono Symposia Internacional.
''E há sempre a chance de, ao final do tratamento, não se encontrar nenhum embrião compatível'', lembra o geneticista francês Pierre Ray, do Hospital Necker, de Paris. ''Isso, além de deixar a família terrivelmente frustrada, cria outro embate ético: fazer ou não o implante dos embriões que não servirão para salvar ninguém.'' Na opinião do geneticista, quando já se chegou tão longe, é moralmente recomendável tentar a gravidez assim mesmo. (L.Q)

mockup